sexta-feira, 14 de dezembro de 2007




SEGREDOS MEUS


Há tantas coisas por fazer
Não só a barba.
Há tantas coisas para arrumar
Não só a casa.
Tuas palavras arranham mais
Do que as unhas afiadas.
Deixam marcas profundas
De difícil cicatrização.

À que horas você terá a próxima crise?

No meu silêncio profético
Vejo a ampulheta inversa
E teus olhos mergulhados nos meus
Como se deles dependesse a sua vida.

O tempo se arrasta bêbado pelo chão molhado.

Não te sinto,
Não te toco,
Não te cheiro,
Não te provo...
Imagino-te.

Ando automatizado do quarto para sala
Da sala para o banheiro.

Estou com medo de pensar!
Abstraio-me!
Tenho receio de enlouquecer.
Sou refém das minhas obsessões paranóicas!

Você me acalma
Me traz uma falsa paz
Livra-me do tormento
Vivo entre o santo e o profano.
Flerto com os demônios
Bebo vinho com arcanjos.

Há tantas coisas por resolver!

Há tantos desejos por renunciar!

A vida é a prisão do mundo!
A morte a liberdade!

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