sábado, 26 de janeiro de 2008

ORGIAS GREGAS!

Mesmo quando busca seus fins primários, a SEXUALIDADE surge como uma força AGREGADORA das pessoas. O Homem, percebendo-se um ser descontínuo, ou seja, separado de todo o resto, procura substituir esse isolamento por um sentimento de continuidade profunda. A SEXUALIDADE surge como como uma linguagem possível, por meio da qual nos comunicamos com o outro, rompendo a descontinuidade dos corpos.
Por isso a sexualidade surge também como a expressão máxima da intimidade e do desejo.
O Impacto gerado pelo EROTISMO leva as pessoas a temerem a ação devastadora dele.
O discurso moralista e puritano é herdeiro das tendências neoplatônicas que desvalorizam o corpo e consideram que o caminho da humanização está na "PURIFICAÇÃO" dos sentidos "MAIS BAIXOS". A sexualidade deixa de fazer parte do homem integral, é confinada à alcova, ao silêncio.
O apóstolo São Paulo defendia o celibato, mas dizia que era "melhor casar-se que abrasar-se". Santo Agostinho, que tivera vida devassa antes da conversão, achava o prazer um companheiro perigoso.
Os ideais ascéticos estimulam a continência, que é o controle da atividade sexual até a abstinência. Mas, para isso, o homem deve lutar contra a tentação, procurando todos os meios de fugir á luxúria (sensualidade).
A reforma protestante retoma essa temática, e o trabalho surge como a ocasião de purificação. É conhecida a tese do sociólogo Max Weber contida na obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", onde mostra como ideal de vida ascética é o núcleo da ética protestante. Pela teoria da predestinação, a salvação ou condenação das almas independe do próprio homem, pois é Deus que nos escolhe ou nos condena. Mas eis o que importa: as obras, a riqueza, a prosperidade, são sinais de escolha divina. Daí o trabalho ser o meio de fugir da tentação e a condição da purificação. "A ociosidade é a mãe de todos os vícios", e o principal pecado é a preguiça. Está surgindo aí a moral burguesa.
fonte: Filosofando- Introdução à Filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria helene P. Martins.

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