terça-feira, 4 de dezembro de 2007

-IRA-
Ronald rosman

Vou tocar fogo no mundo!
Quero acabar com tudo!
Nada justifica a dor de fome da criança soropositivo, abandonada na calçada, às margens da via indiferente.
A única maneira de ser feliz é se alienando!
É se acovardando!
É cortando os pulsos!
Você municia a arma que vai disparar na sua própria cabeça!
As imagens falam por si, por dó, por ré...
Quebrem o piano!
Destruam os “santos”!
Parem com a missa! Esse Padre é pedófilo!
Eu vou explodir tudo!
Não há lógica para manter a esperança que um dia... Um dia... Basta! Babaca!
Só o fogo redime!
Não há local seguro!
Chega de ficar em cima do muro!
Teu crime prescreveu!
Teus demônios não são os meus!
Cansei de construir castelos de areia para a onda derrubar!
Cansei de esperar por Cristo!
Quem sabe se ele virá?
Deixe-me em paz com meus medos ridículos,
Com minhas paranóias,
Com minhas parafilias...
Vocês não entendem mesmo!
Nunca entenderão!
Não sou explicativo!
Não vim com bula e nego explicação!
Vou apedrejar o profeta e amar a puta!
Vou desdizer o não dito!
Vou andar com o maldito!
Vou profanar os templos!
Abrir a ferida escondida, cicatrizada!
Quero o lago de enxofre fervente!
A verdade cruel!
A carne crua!
O sangue na coroa de espinhos!
Tirem o Rei da cruz!
Vamos!
Chega de ter esperança na morte!
Crucifiquem Maria!
Crucifiquem Maria!
Porcos judeus!
Porcos romanos!
Porcos gentios!
Ave Calígula!
Ave César!
Que todos os Pilatos apresentem-se perante a tina de água vermelho-barro e lavem as mãos!
Decretem a guerra!
Matem os escribas!
Acabem de vez com essa falsa esperança!

Afiem as espadas e as lanças!

Não poupem nem as crianças!
Matem todos!
Acabem com o muro das lamentações!
Vamos entrar em ação!
Cortem a cabeça do rei!
Explodam com tudo!
Acabem com as rimas!
Acabem com os templos de cimento frio!
Destruam os mármores!
Quantas cruzes e quantos Cristos?
Quantos mitos!
Quantas promessas?
Quantas supertições!
Quantas guilhotinas?
Mesmo que o tirano seja enforcado
Haverá sempre o ódio escorrendo pelo canto da boca!
Sangue negro!
Sangue rubro!
Quantas Callas!
Meu Deus!
Quantos deuses?
As flores ainda não desabrocharam!
E será necessária a dor para que ela cresça!
A menina no quarto chora com as pernas encolhidas!
Misto de dor e prazer.
Apaguem as luzes.
Fechem as portas.
Calem as bocas!
As virgens ainda sonham com as orgias
Enquanto os amores evaporam como sonhos desfeitos...
... Quimeras.

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