terça-feira, 25 de dezembro de 2007



Errado e Torto

Fui acusado de ódio no coração guardar!
Pela mesma pessoa que diz me amar
Que guardo ódio no coração
Que sou arrogante e prepotente!
Que sou espaçoso, estúpido e bruto.

Estou entre o cítrico e o etílico
O doce enjoa
O salgado dá sede
Guardo um nó cego
Que encerra o peito
E me confunde antes de me explicar!

Andei me questionando
Procurando o ódio por toda parte
Achei outras coisas que desconhecia
Solidão noite e dia
Amor em Imensidão
Condescendência quase nenhuma
Saudade brutal
Mas não brutalidade.
Achei muitas coisas
Que pouca gente sabe
E consegue enxergar

Na ausência dos outros
Eu consigo até amar
Sem ninguém para censurar
Para questionar a maneira de me expressar
Mas ainda não sei onde foi parar
O ódio que me dizem guardar?

Tenho tantas lágrimas
Por derramar
Que se eu liberar de uma só vez
Talvez
Possa uma catástrofe causar!

Eu amo sempre errado!
Quando me aproximo
Faço sempre sofrer
Tenho o destino torto
E luto para sobreviver
Me equilibrando no arame
Às vezes acordo já morto
Sem forças para discutir, questionar.
Sábio é o que sabe calar!
É quem me acalma com o olhar!
Que sai da frente para eu passar
Mas que me convence voltar
Sem precisar a força usar!

Eu respeito quem consegue a fera domar!
Sou o demolidor
Que vem o tédio derrubar!
Tenho muitos desejos
Que não posso confessar!
Mas ódio, ainda não pude encontrar!

Tem gente que acha que sabe quem sou,
Mas com a visão muito limitada, muito equivocada!
Geralmente são essas que insistem em me julgar!

Nem anjo nem demônio!
Nem santo e nem profano!
Sou a mistura de tudo
Que você teima em negar!

Até na maneira que tenho
De demonstrar carinho
De expressar o que sinto
Sou criticado.
Querem me internar!
Querem me calar!

Eu não vim aqui para o dedo apontar!
Não pretendo ser como Cristo
E o mundo salvar!
Desejo apenas ser compreendido!

Quem sabe um dia alguém possa
Me decifrar!


Mas ódio.
Isso não!

Não quero me envenenar!


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