quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Abrindo a CABEÇA!



AISTHESIS

Etimologicamente, a palavra estética vem do grego aisthesis com o significado de “faculdade de sentir”, “compreensão pelos sentidos”, “percepção totalizante”. A ligação da estética com a arte é ainda mais estreita se se considera que o objetivo artístico é aquele que se oferece ao sentimento e à percepção. Assim, podemos compreender que, enquanto disciplina filosófica, a estética tenha também se voltado para as teorias da criação e percepção artísticas.

Mas o que é a beleza? Será possível defini-la objetivamente ou será uma noção eminentemente subjetiva, isto é, depende de cada um?

De Platão ao Classicismo, os filósofos tentaram fundamentar a objetividade da arte e da beleza. Para Platão, a beleza é a única idéia que resplandece no mundo. Se, por um lado, ele reconhece o caráter sensível do belo, por outro continua a afirmar a sua essência ideal, objetiva. Somos, assim, obrigados a admitir a existência do “belo em si” independente das obras individuais que, na medida do possível, devem se aproximar desse ideal universal.

O Classicismo vai ainda mais longe, pois deduz regras para o fazer artístico a partir desse belo ideal, fundando a estética normativa. É o objeto que passa a ter qualidades que o tornam mais ou menos agradável, independente do sujeito que as percebe.

Do outro lado da polêmica, temos os filósofos empiristas, como David Hume, que relativizam a beleza ao gosto de cada um. Aquilo que depende do gosto e da opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: “Gosto não se discute”. O belo, portanto, não está mais no objetivo, mas nas condições de recepção do sujeito.

Kant, numa tentativa de superação dessa dualidade objetividade-subjetividade, afirma que o belo é “aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectualmente”. Para ele, o objeto belo é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no sujeito. O princípio do juízo estético, portanto, é o sentimento do sujeito e não o conceito do objetivo. No entanto, há a possibilidade de universalização desse juízo subjetivo na medida em que as condições subjetivas da faculdade de julgar são as mesmas em todos os homens. Belo, portanto, é uma qualidade que atribuímos aos objetos para exprimir um certo estado da nossa subjetividade. Sendo assim, não há uma idéia de belo nem pode haver regras para produzi-lo. Há objetos belos, modelos exemplares e inimitáveis.

Hagel, em seguida, introduz o conceito de história. A beleza muda de face e de aspecto através dos tempos. Essa mudança (devir), que se reflete na arte, depende mais da cultura e da visão de mundo vigente do que de uma exigência interna do belo.

Hoje em dia, dentro de uma visão fenomenológica, consideramos o belo como uma qualidade de certos objetos singulares que nos são dados á percepção. Beleza é, também, a imanência total de um sentido ao sensível. O objeto é belo porque realiza o seu destino, é autêntico, é verdadeiramente segundo o seu modo de ser, isto é, é um objeto singular, sensível, que carrega um significado que só pode ser percebido na experiência estética. Não existe mais a idéia de um único valor estético a partir do qual julgamos todas as obras. Cada objeto singular estabelece seu próprio tipo de beleza.
O problema do feio está implícito nas colocações que são feitas sobre o belo. Por princípio, o feio não pode ser objeto da arte. No entanto, podemos distinguir, de imediato, dois modos de representação do feio: a representação do assunto “feio” e a forma de representação feia. No primeiro caso, embora o assunto “feio” tenha sido banido do território artístico durante séculos (pelo menos desde a antiguidade grega até a época medieval), é no século XIX que ele vem a ser reabilitado. No momento em que a arte romana rompe com a idéia de ser “cópia do real” e passa a ser considerada criação autônoma que tem por função revelar as possibilidades do real, ela passa a ser avaliada de acordo com a autenticidade da sua proposta e com sua capacidade de falar ao sentimento. O problema do belo e do feio é deslocado do assunto para o modo de representação. E só haverá obras feias na medida proposta. Em outras palavras, quando houver uma obra feia – neste último sentido -, não haverá uma obra de arte.


Os imbecis nunca exitam!Os fundamentalistas acham sempre que têm razão!

CARNAVAL TEM TODO ANO, MAS A VIDA...

E antes que você venha com afetação,
essas são fotos de nú artístico!
O erotismo está na sua cabeça!

Quando a gente é inexperiente, a gente tem o costume de se atirar em tudo sem exitar! A gente chega na praia e vai dando logo um mergulho, sem ao menos olhar para o mar, ver como estão as ondas, perguntar ao salva-vidas as condições, etc... Depois sempre vem o arrependimento!

O carnaval está aí! Muitos já estão mergulhando desde já! Cada um sabe o que deve fazer, pelo menos, deveria saber!

Tem gente que enche a cara e realiza todas as suas fantasias mais íntimas, pois, no carnaval pode tudo! As pessoas passam o ano todo castradas, submissas, vestindo suas máscaras de pais, mães, profissionais sérios, etc..., mas quando chega o carnaval... explode toda repressão de uma só vez! É aí que está o perigo!

Às vezes o mar está agitado e não devemos arriscar! Às vezes a correnteza está forte e precisa-se ter cuidado! Às vezes é prudente pôr um bloqueador solar, sentar na cadeira e apenas observar o mar, sentir a brisa, o calor do sol, etc...

Carnaval tem e terá todo ano, mas se nós agirmos como criança quando chega na praia e sairmos mergulhando de cabeça, poderá ser o nosso último.

"Faça o que quiser fazer! Você tem esse poder!" Mas depois assuma as consequências!

E como diz o outro: "Malandro é Malandro; Mané é Mané!"

CADA UM SABE DE SI!

PELO MENOS DEVERIA SABER!




-Sem sentido-

Qual o sentido dos seus cabelos espalhados pelo chão?
O que quer dizer das coisas atiradas na face,
Enquanto o corpo ainda estremecia?
Não tive reação
Fui pego de surpresa
Ainda ofegante
Ainda com o sorriso nos lábios
O que significa tudo isso?
Essas roupas espalhadas
Essa chuva repentina
Esse vento que entra sem bater?
Que horas chegaremos ao inferno?
Qual o sentido do corpo
Que não pára de se agitar?
Do que serve a noite com esse vento quente?
Pra quê esse veneno na língua,
Essa disputa?
Faz bem fazer mal,
Deixar o gosto amargo na boca do outro,
Sair batendo a porta?
Faz sentido o “eu te amo!” de ontem depois dos minutos mais íntimos entre duas pessoas?
Faz sentido as lágrimas contidas desaguarem pelas ruas?
Faz sentido os momentos de paz serem soterrados pelo rancor?
Qual o sentido do amor que existe entre nós?
Faz sentido lutar para esquecer o que nos faz tão bem em recordar?
Qual o sentido da nossas línguas se encontrarem num balé dentro da boca?
Faz sentido o meu corpo falar com o teu em silêncio?
Qual o sentido que há nas manhãs que passamos juntos?
Faz sentido queimar as pessoas como se fossem bruxas?
Faz sentido semear o ódio e o ressentimento no lugar do jardim que plantamos juntos?
Faz sentido agir como se não representasse nada?
Pra quê os espinhos no lugar das rosas?
Por que não guardar as coisas boas, já que precisa ser esse o fim?
Faz sentido o ódio invadir o seu coração que, até bem pouco tempo, me amava?
O que fomos um para o outro?
Ontem o herói,
Hoje o bandido!
Ontem o cavalheiro,
Hoje o mal caráter!
Faz sentido os valores mudarem assim?
Faz sentido o julgamento e a forca?
Faz sentido apagar todo filme quando apenas o fim não nos agrada?
Qual o sentido para o sentimento que nos envolveu?
Faz sentido ir embora sem se despedir,
Sem dizer pelo menos
Adeus?
por Ronald Rosman.

sábado, 26 de janeiro de 2008

HOMEM X MULHER: OS OPOSTOS!





SENSUALIDADE e EROTISMO.



ORGIAS GREGAS!

Mesmo quando busca seus fins primários, a SEXUALIDADE surge como uma força AGREGADORA das pessoas. O Homem, percebendo-se um ser descontínuo, ou seja, separado de todo o resto, procura substituir esse isolamento por um sentimento de continuidade profunda. A SEXUALIDADE surge como como uma linguagem possível, por meio da qual nos comunicamos com o outro, rompendo a descontinuidade dos corpos.
Por isso a sexualidade surge também como a expressão máxima da intimidade e do desejo.
O Impacto gerado pelo EROTISMO leva as pessoas a temerem a ação devastadora dele.
O discurso moralista e puritano é herdeiro das tendências neoplatônicas que desvalorizam o corpo e consideram que o caminho da humanização está na "PURIFICAÇÃO" dos sentidos "MAIS BAIXOS". A sexualidade deixa de fazer parte do homem integral, é confinada à alcova, ao silêncio.
O apóstolo São Paulo defendia o celibato, mas dizia que era "melhor casar-se que abrasar-se". Santo Agostinho, que tivera vida devassa antes da conversão, achava o prazer um companheiro perigoso.
Os ideais ascéticos estimulam a continência, que é o controle da atividade sexual até a abstinência. Mas, para isso, o homem deve lutar contra a tentação, procurando todos os meios de fugir á luxúria (sensualidade).
A reforma protestante retoma essa temática, e o trabalho surge como a ocasião de purificação. É conhecida a tese do sociólogo Max Weber contida na obra "A ética protestante e o espírito do capitalismo", onde mostra como ideal de vida ascética é o núcleo da ética protestante. Pela teoria da predestinação, a salvação ou condenação das almas independe do próprio homem, pois é Deus que nos escolhe ou nos condena. Mas eis o que importa: as obras, a riqueza, a prosperidade, são sinais de escolha divina. Daí o trabalho ser o meio de fugir da tentação e a condição da purificação. "A ociosidade é a mãe de todos os vícios", e o principal pecado é a preguiça. Está surgindo aí a moral burguesa.
fonte: Filosofando- Introdução à Filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria helene P. Martins.

Ave, BACO!



quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

QUANDO NÃO QUER DIZER SIM?


Segundo Foucault (filósofo francês), "falar sobre sexo é uma maneira de evitar fazer sexo".
Explicando melhor: o discurso científico, se dizendo além dos tabus e dos preconceitos, reduz o sexo a uma visão biologizante; mostrando-o como algo"natural", estabelece cânones (padrões) sobre o que é normal ou patológico, classifica os tipos de comportamento, determina uma profilaxia (ou seja, normas de higiene e controle de doenças etc.) e aprisiona os indivíduos à última palavra do especialista "competente", através do qual o sexo é vigiado e regulado.
Para Bataille (Georges Bataille, o erotismo: o proibido e a transgressão, p.245), "o especialista nunca pode estar à altura do erotismo. Entre todos os problemas, o erotismo é o mais misterioso, o mais geral, o mais longínquo. Para aquele que se não pode furtar a ele, para aquele cuja vida se abre à exuberância, o erotismo é, por exelência, o problema universal. O movimento erótico é também o mais intenso dos movimentos (à exceção, se se quiser, da experiência dos místicos). Por isso está situado no cume do espírito humano".
Talvez você ao ver as fotos acima, possa ter se sentido agredido ou chocado. Se isso se deu, você já está contaminado pelo "recalque". As fotos acima revelam apenas corpos nus, mais nada. Se você tem "problema" com o nu, você precisa se tratar. Você precisa se libertar desse bloqueio que, fatalmente, se deu em algum momento da sua infância.Você não deveria se sentir constrangido e nem culpado!
O sexo retirado da amplitude inicial em que deveria se encontrar, isto é, todas as ações humanas, é restrito a momentos isolados, nas horas de lazer. E mais ainda: é submetido a um controle para que não se desvie da função de proibição, considerada fundamental, e é reduzida à genitalidade (ao próprio ato sexual).
Marcuse afirma:"Eficiência e repressão convergem".
A visão platônico-cristã dissocia o amor espiritual do amor carnal e associa sexo ao pecado.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Sexo rejuvenesce!!!!!!!!

Segundo pesquisa vinculada nesse domingo na revista Época, fazer sexo durante 40 minutos queima mais calorias do que uma caminhada de 30 minutos.
E ainda tem gente que prefere andar!
Fazer o quê, né?

SEXO É BOM!






sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Filosofando sobre o amor e o desejo sexual.

O exercício do amor supõe a descoberta do outro. Por isso o amor envolve o respeito, não no sentido moralista que rotineiramente se dá a esse conceito, não como temos resultante da autoridade imposta. Respicere, em latim, significa “olhar para”, ou seja, o respeito é a capacidade de ver uma pessoa como tal, reconhecendo sua individualidade singular. Isso supõe a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva, e não a exploração: o outro não é alguém de quem nos servimos. O amor maduro é livre e generoso, fundando-se na reciprocidade.
No entanto, o risco do amor é a separação. Mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade da perda. Segundo o psicanalista austríaco Igor Caruso, a separação é a vivência da morte numa situação vital: é a vivência da morte do outro em minha consciência e a vivência de minha morte na consciência do outro.
Uma característica dos indivíduos maduros é saber integrar a possibilidade da morte no cotidiano da sua vida. E, quando falamos em morte, nos referimos não só ao sentido literal, mas às diversas “mortes” ou perdas que permeiam nossas vidas. No entanto, nas sociedades massificadas, onde o eu não é suficientemente forte, as pessoas preferem não viver, para não ter de viver com a morte. Por isso, também as relações tendem a se tornar superficiais, e é nesse sentido que o pensador francês Edgard Morin afirma:
“Nas sociedades burocratizadas e aburguesadas, é adulto quem se conforma em viver menos para não ter que morrer tanto. Porém, o segredo da juventude é este: vida quer dizer arriscar-se à morte; e fúria de viver quer dizer viver a dificuldade”.

Sexualidade humana: erotismo.

Freud chama de libido a força primária, a energia de natureza sexual, orientada pelo princípio do prazer e que se encontra numa instância da personalidade chamada id. O contato com as normas sociais determina, no entanto, na formação do superego, que interioriza as forças inibidoras do mundo exterior e passa a ser regido pelo princípio do dever. O conflito entre essas duas forças antagônicas deverá ser resolvido pelo ego, que, a partir do princípio de realidade, saberia lidar com o desejo, decidindo da conveniência de realizá-lo, de proibir sua satisfação ou apenas postergá-la, isto é, adiá-la.
Desde que a cultura se tornou possível, a energia sexual não orientada para os fins primários a que fora originalmente destinado, é utilizada para outros fins que não dos propriamente de natureza sexual. Assim, Freud vê, nas diversas atividades como o trabalho, o jogo, a produção artística, formas sublimadas da utilização da libido. A sublimação é, portanto, a pulsão desviada para um alvo não sexual, quando visamos atividades socialmente valorizadas.
Para a teoria freudiana, há libido investida em todos os atos psíquicos, de uma forma ou de outra, e é isso que nos permite encontrar prazer também nas atividades que não são primariamente de natureza sexual.
Embora as atividades sexuais sejam comuns aos animais e aos homens, apenas estes a transformam em atividade erótica.
A ação erótica é ocasião da expressão da alegria e da invenção.
A carícia é a palavra do corpo.
“A nudez destrói a boa figura que as nossas roupas emprestam”.
A paixão, apesar da promessa de felicidade que acompanha, introduz a perturbação e a desordem. Daí talvez resida a necessidade que os poderosos sentem de controlar a sexualidade pela repressão.
Já podemos antever que nem sempre o controle da sexualidade é saudável e consciente. Voltemos a Freud: quando o ego, sob o comando do superego, não consegue tomar consciência das exigências do id, por serem demasiadamente conflitivas e inconciliáveis com a moral, essas exigências são rejeitadas e ficam no inconsciente. Entretanto, a energia não canalizada não permanece contida, mas reaparece sob a forma de sintomas, muitas vezes neuróticos. É assim que Eros se torna doente, e a ele se sobrepõe Tanatos (morte). O sexo passa a ser visto numa relação ambígua de atração e repulsa, desejo e culpa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Eros é predominantemente Desejo.

Não seria o homem um ser desejante e não pensante?
Não seria o desejo aquilo que mobiliza o homem, e a razão o princípio organizador que hierarquiza os desejos e procura os meios para a sua realização? Nesse sentido, não estamos querendo inverter o tema clássico da superioridade da razão sobre a paixão, mas mostrar que esses dois princípios estão indissoluvelmente ligados.
fonte: Filosofando. Introdução à filosofia. Editora Moderna. Maria Lúcia de A. Aranha e Maria Helena
P. Martins.
Hegel diz: "Amar é estender o seu corpo em direção a um outro corpo; mas é também, mais fundamentalmente, exigir que esse corpo, que ele deseja, também se estenda; é desejar o desejo do outro".
Roland Barthes: "Dizem-me: esse gênero de amor não é viável. Mas como avaliar a viabilidade? Por que o que é viável é um Bem? Por que durar é melhor que inflamar?"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"O Amor." por Roland Barthes

"Que é que eu penso do amor? - Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. O que quero conhecer (o amor) é exatamente a matéria que uso para falar (o discurso amoroso). A reflexão me é certamente permitida, mas como essa reflexão é logo incluída na sucessão (que supõe linguagens exteriores umas às outras), não posso pretender pensar bem. Do mesmo modo, mesmo que eu discorresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito 'pelo rabo': por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do Imaginário; estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado: 'O lugar mais sombrio, diz um provérbio chinês, é sempre embaixo da lâmpada'."
O PARADOXO DO AMOR
O amor, sendo o desejo de união com o outro, estabelece, no entanto, um tipo de vínculo paradoxal: o amante deve cativar para ser amado livremente. Podemos mesmo dizer que o fascínio é gerador de poder: o poder de atração de um sobre o outro. No entanto, tal "cativeiro" não pode ser entendido como ausência de liberdade, pois a união deve ser condição da expressão cada vez mais enriquecida da nossa sensibilidade e da nossa personalidade. É fácil observar isso na relação entre duas pessoas apaixonadas: a presença do outro é solicitada na sua espontaneidade, pois são os dois que escolhem livremente estar juntos.
Há um outro paradoxo no amor: ele deve ser uma união, com a condição de cada um preservar a própria integridade. Faz com que dois seres estejam unidos e, contudo, permaneçam separados.
O amor é o convite para sair de si mesmo. Se a pessoa estiver muito centrada em si mesma, não será capaz de ouvir o apelo do outro.
Fonte: Filosofando. Introdução à filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria helena Pires Martins.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Se não enterrarmos as sementes
elas não florecerão!
Se não enterrarmos as sementes
Nunca veremos as flores! - R.Rosman.
O Poetinha Vinícius de Moraes.
A brusca poesia da mulher amada
Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.
Rio de Janeiro, 1938
A brusca poesia da mulher amada (II)
A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo.
A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora.
A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen.
A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico.
A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo.
A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência.
Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens.
Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura.
Nascitura da mulher amada
É a mulher amada.
A mulher amada é a mulher amada é a mulher amada
É a mulher amada.
Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando!
E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação.
Por isso, seja ela!
A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada!
Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!
Rio de Janeiro, 1950
brusca poesia da mulher amada (III)
A NelitaMinha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que eu haja sido herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrânciajá me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão.
Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas...
Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo...
Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas!
Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!
Rio de Janeiro, 1963

sábado, 5 de janeiro de 2008

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O amor tem razões que a própria razão desconhece
pessoas que passaram a tanto tempo pela nossa vida
mas a gente não esquece
a forma da seleção natural de quem é legal
pessoas que te fazem mal
e outras que mexe com o nosso emocional
se nada é por acaso
por que tudo no sistema solar circula?
por que um olhar te desarma?
por que uma voz te atordoa?
não é qualquer pessoa
não é um layout ou um estilo
me explica por quê!
o início é vizinho do fim!
o não amigo do sim!
Ha energias que não dominamos
ha pessoas que amamos
não ha explicação lógica
não ha razão.
um jeito
um olhar
um toque
forma de pensar
de falar...
a comida ainda está quente sobre a mesa!
há que horas vamos almoçar?
quando mataremos a fome?
tudo que vai volta
me prende e me solta
bate e assopra.
o dia hoje é especial para se ouvir mais.
feche os olhos e veja!
não temos o poder de entender tudo
de dominar tudo
não sabemos muita coisa!
então pra que sofrer assim?
façamos o que nos cabe e isso é só!
pois o tempo passa.
deixo a trilha me guiar, me levar.
conheço o norte
o resto...
conheço a morte
conheço o medo
mas você quem é?
Fale a minha língua!
Diga o que eu te perguntei!
vivo por fé!
amo a mingua
do todo nada sei.
sei que sou vento!
hoje tem festa no céu!
o espírito das matas passa sacudindo as árvores.
anjos sobrevoam nossas cabeças.
por entre as pedras escorre o mel!
o mais é sempre menos.
lá onde o dinheiro não serve pra nada
é que eu te despi
é que te conheci
o resto é falso.
quando a morte se aproximar
de quem você vai se lembrar?
o que se sabe?
o que se acha que se quer?
tudo circula.
a razão é dura, reta.
a lógica, analfabeta!
nem tudo se paga
se pega
se toca
se come...
nem tudo.
quando chegar a noite vem deitar ao meu lado!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Um dia no paraíso esquecido!





O silêncio da insatisfação

Não há bom dia
Há apenas decepção
Há silêncio para não haver insultos
Falta força para abrir a boca
Não há boa noite
Apenas desconforto
O que falta?
Há várias maneiras de pedir perdão
Há pessoas que desconhecem
Essa forma de expressão.
Onde está caminho para a paz?
Silêncio frio
Dores
Escuridão
Boca calada
A porta não fecha!
Presença desagradável!
O desejo da solidão!
Não há toques
Não há olhares
Por onde é o caminho da fuga?
Como evitar a explosão?
Silêncio de insatisfação
Mal estar
Noites mal dormidas
Presença inimiga
Falta de comunicação
Arrogância atrevida
Ignorância
Ter que dividir a cama
Ter que repartir o pão.
O silêncio da oração.
Palavras mortas
Flores murchas
A divisão.
O amor jogado no chão
Pisado
Ignorado
Silêncio
Observação
Passos de lá pra cá
Cansaço
Sonhos perdidos
No mar da desilusão.
Um prato só na mesa
Um copo
Noites de prantos
Subtração
Divisão
Dono da razão
O silêncio da solidão
Diálogos de um só
Dedo na ferida
Cicatrização

Se não for pra pedir perdão...
Cala-te
Vai-te em silêncio.
Sofra com dignidade.
Aqui não há ganhar ou perder.

Só o sofrimento faz crescer!


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

"Te levo pra festa e testo o seu sexo com ar de professor."





"Vem me fazer feliz porque eu te amo;

você desagua em mim, eu oceano."

"Só sei viver se for por você."

"O que há dentro do meu coração,

que eu tenho guardado pra te dar?

e todas as horas que o tempo tem para me conceder,

são suas até morrer;

te adoro em tudo, tudo

quero mais que tudo, tudo

te amar sem limites

viver uma grande história;

aqui ou em outro lugar

que pode ser feio ou bonito

se nós estivermos juntos

haverá um céu azul;

um amor puro não sabe a força que tem

meu amor eu juro ser teu e de mais ninguém."

"Teu olhar não me diz exatamente quem tu és

mesmo assim eu te devoro."

"Eu quero mesmo é viver para esperar, devorar você."

"Você diz que não sabe se não,

mas também não tem certeza se sim,

quer saber

quando é assim

deixa vir do coração;

você sabe que eu só penso em você

você diz que vive pensando em mim,

pode ser

quando é assim você tem que largar a mão do não,

soltar essa louca

arder de paixão

não há como doer para decidir

só dizer sim ou não,

mas você adora um sim."

"Não!

Nada de nada.

Não!

Eu não lamento nada!

Nem o bem que me fizeram

nem o mal

para mim é tudo igual!"

Cuidado com a projeção!

Hei!
Pare de achar que você não pode errar!
Pare de se cobrar de mais!
Aceite que você não é perfeito!
Deixe que cada um viva a sua vida!
Pare de se esconder!
Assuma-se!
Não seja hipócrita!
Jogue fora os preconceitos!
Se desfaça dos ressentimentos!
Não se sinta culpado por ser feliz!
Siga o que você acredita que será melhor para você!
Transgrida se isso depender a sua felicidade e não causar danos para os outros!
Você não é responsável pela vida dos outros!
Ajude sempre que tiver oportunidade!
Não tenha medo de amar!
Não tenha medo de ser feliz!
Não tenha medo da vida!
Arrisque-se!
Invista!
Você não tem obrigação de agradar ninguém!
Faça sempre o melhor que puder!
Não deixe ninguém te fazer mal!
Não permita que os invejosos de suguem!
Escolha bem seus amigos!
Saiba ser amigo!
Lembre-se: Você não vai mudar o mundo!
Aprenda a dizer:
DANE-SE!
Você vai ver como essa palavra faz um bem danado!

TENHA UM BOM ANO! VOCÊ MERECE!

Hei!
Tenha em mente que você precisa ser feliz!
É isso que realmente importa!
Deixe de lado o que vão dizer!
Se precisar mudar os seus conceitos equivocados, mudar suas posições, mudar sua direção, mudar, mudar, mudar...
Mude, então!
A mudança é saudável!
Se a sua felicidade depender sempre de coisas, você continuará oscilando!
Seja feliz por você estar vivo!
Isso já é maravilhoso!
A vida é um presente que, muitas vezes, é mal utilizado!
Ame!
Nisso consiste tudo!
E lembre-se que
AMOR NÃO É MOEDA DE TROCA!

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