quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


-Sem sentido-

Qual o sentido dos seus cabelos espalhados pelo chão?
O que quer dizer das coisas atiradas na face,
Enquanto o corpo ainda estremecia?
Não tive reação
Fui pego de surpresa
Ainda ofegante
Ainda com o sorriso nos lábios
O que significa tudo isso?
Essas roupas espalhadas
Essa chuva repentina
Esse vento que entra sem bater?
Que horas chegaremos ao inferno?
Qual o sentido do corpo
Que não pára de se agitar?
Do que serve a noite com esse vento quente?
Pra quê esse veneno na língua,
Essa disputa?
Faz bem fazer mal,
Deixar o gosto amargo na boca do outro,
Sair batendo a porta?
Faz sentido o “eu te amo!” de ontem depois dos minutos mais íntimos entre duas pessoas?
Faz sentido as lágrimas contidas desaguarem pelas ruas?
Faz sentido os momentos de paz serem soterrados pelo rancor?
Qual o sentido do amor que existe entre nós?
Faz sentido lutar para esquecer o que nos faz tão bem em recordar?
Qual o sentido da nossas línguas se encontrarem num balé dentro da boca?
Faz sentido o meu corpo falar com o teu em silêncio?
Qual o sentido que há nas manhãs que passamos juntos?
Faz sentido queimar as pessoas como se fossem bruxas?
Faz sentido semear o ódio e o ressentimento no lugar do jardim que plantamos juntos?
Faz sentido agir como se não representasse nada?
Pra quê os espinhos no lugar das rosas?
Por que não guardar as coisas boas, já que precisa ser esse o fim?
Faz sentido o ódio invadir o seu coração que, até bem pouco tempo, me amava?
O que fomos um para o outro?
Ontem o herói,
Hoje o bandido!
Ontem o cavalheiro,
Hoje o mal caráter!
Faz sentido os valores mudarem assim?
Faz sentido o julgamento e a forca?
Faz sentido apagar todo filme quando apenas o fim não nos agrada?
Qual o sentido para o sentimento que nos envolveu?
Faz sentido ir embora sem se despedir,
Sem dizer pelo menos
Adeus?
por Ronald Rosman.

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