sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Filosofando sobre o amor e o desejo sexual.

O exercício do amor supõe a descoberta do outro. Por isso o amor envolve o respeito, não no sentido moralista que rotineiramente se dá a esse conceito, não como temos resultante da autoridade imposta. Respicere, em latim, significa “olhar para”, ou seja, o respeito é a capacidade de ver uma pessoa como tal, reconhecendo sua individualidade singular. Isso supõe a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva, e não a exploração: o outro não é alguém de quem nos servimos. O amor maduro é livre e generoso, fundando-se na reciprocidade.
No entanto, o risco do amor é a separação. Mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade da perda. Segundo o psicanalista austríaco Igor Caruso, a separação é a vivência da morte numa situação vital: é a vivência da morte do outro em minha consciência e a vivência de minha morte na consciência do outro.
Uma característica dos indivíduos maduros é saber integrar a possibilidade da morte no cotidiano da sua vida. E, quando falamos em morte, nos referimos não só ao sentido literal, mas às diversas “mortes” ou perdas que permeiam nossas vidas. No entanto, nas sociedades massificadas, onde o eu não é suficientemente forte, as pessoas preferem não viver, para não ter de viver com a morte. Por isso, também as relações tendem a se tornar superficiais, e é nesse sentido que o pensador francês Edgard Morin afirma:
“Nas sociedades burocratizadas e aburguesadas, é adulto quem se conforma em viver menos para não ter que morrer tanto. Porém, o segredo da juventude é este: vida quer dizer arriscar-se à morte; e fúria de viver quer dizer viver a dificuldade”.

Sexualidade humana: erotismo.

Freud chama de libido a força primária, a energia de natureza sexual, orientada pelo princípio do prazer e que se encontra numa instância da personalidade chamada id. O contato com as normas sociais determina, no entanto, na formação do superego, que interioriza as forças inibidoras do mundo exterior e passa a ser regido pelo princípio do dever. O conflito entre essas duas forças antagônicas deverá ser resolvido pelo ego, que, a partir do princípio de realidade, saberia lidar com o desejo, decidindo da conveniência de realizá-lo, de proibir sua satisfação ou apenas postergá-la, isto é, adiá-la.
Desde que a cultura se tornou possível, a energia sexual não orientada para os fins primários a que fora originalmente destinado, é utilizada para outros fins que não dos propriamente de natureza sexual. Assim, Freud vê, nas diversas atividades como o trabalho, o jogo, a produção artística, formas sublimadas da utilização da libido. A sublimação é, portanto, a pulsão desviada para um alvo não sexual, quando visamos atividades socialmente valorizadas.
Para a teoria freudiana, há libido investida em todos os atos psíquicos, de uma forma ou de outra, e é isso que nos permite encontrar prazer também nas atividades que não são primariamente de natureza sexual.
Embora as atividades sexuais sejam comuns aos animais e aos homens, apenas estes a transformam em atividade erótica.
A ação erótica é ocasião da expressão da alegria e da invenção.
A carícia é a palavra do corpo.
“A nudez destrói a boa figura que as nossas roupas emprestam”.
A paixão, apesar da promessa de felicidade que acompanha, introduz a perturbação e a desordem. Daí talvez resida a necessidade que os poderosos sentem de controlar a sexualidade pela repressão.
Já podemos antever que nem sempre o controle da sexualidade é saudável e consciente. Voltemos a Freud: quando o ego, sob o comando do superego, não consegue tomar consciência das exigências do id, por serem demasiadamente conflitivas e inconciliáveis com a moral, essas exigências são rejeitadas e ficam no inconsciente. Entretanto, a energia não canalizada não permanece contida, mas reaparece sob a forma de sintomas, muitas vezes neuróticos. É assim que Eros se torna doente, e a ele se sobrepõe Tanatos (morte). O sexo passa a ser visto numa relação ambígua de atração e repulsa, desejo e culpa.

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