sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

o amor não tem orgulho

Eu fecho os olhos, mas ainda vejo os aviões sobrevoarem o povoado, despejando bombas.

eu tapo os ouvidos, mas ainda ouço as explosões e os gritos desesperados.

mesmo a quilómetros de distância, eu ainda sinto o cheiro de carne queimando.

vejo crianças perfiladas para serem enterradas.

ouço os lamentos das mães sem lágrimas.

a dor é um estrondo no fundo da cidade em chamas.

não anoitece, pois, os bombardeios não deixam.

os clarões se seguem pela madrugada.

o amor é o sentimento mais simples que existe.

o amor não tem orgulho de pedir perdão.

senhoras, perdoem esses homens que ceifaram a vida dos seus filhos ainda criança!

eu não durmo, pois, as imagens espocam em meu cérebro.

eu não consigo esquecer o cheiro de morte.

não consigo viver em paz.

minha paz foi sepultada com a dor daquele povo.

Deus não ouviu as orações e os gritos de desespero!

Deus não ouviu os cânticos e os lamentos de dor!

Deus não fez parar.

eu me debrucei aos pés da cruz.

eu queria que parassem.

o chão estava vermelho de sangue.

o chão estava repleto de pedaços de carne humana.

as bênçãos não vieram do céu,

apenas aviões cuspindo fogo.

mas o amor não tem orgulho.

ele te faz rastejar.

ele te faz pedir perdão.

o amor é o sentimento mais nobre que existe.

quando iremos parar de ver o ódio vencer?

o passado é como uma sombra.

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