O estrondo se fez ouvir
Quando o corpo desajeitado se chocou com o chão
E inerte permaneceu.
Imóvel e desacordado ali estava ele.
Não movia e nem pensava.
Seus olhos não olhavam mais.
Sua boca não vociferava mais palavras de ordem e indignação.
Seu cérebro paralisado
Não sonhava mais
Seu coração silenciou de vez.
Não havia mais dor em seu peito
Não haviam mais as lembranças demoníacas que o fizeram ingerir a garrafa de vodka e subir ao topo do prédio.
Não havia mais a dor no coração que o fez desistir da vida.
Do alto do edifício ele olhou pela última vez o horizonte
Contemplou a beleza que tanto o atraia
Na vida.
Ele recitou o último poema pra ela, mesmo ela não estando alí.
Ele se despediu do filho e pediu perdão pelo ato de covardia que viria a tomar.
Sua família não existia mais.
Seus pais já haviam há muito partido.
Sentado no alto, ele escreve o seu último texto.
Era o dia da despedida de tudo que o fizera sofrer por tanto tempo
Por se achar tão diferente de todos
Por não concordar com as regras atuais do mundo
Por não entender as pessoas
Por ser tão agredido
Por ser tão humilhado pelo amor
Ele realmente não era desse mundo.
Ele se viu um alienígena
Se viu um estranho
Tudo o machucava muito:
A fome no mundo, as guerras, a covardia, a ganância, a hipocrisia, a mesquinharia, a sordidez, o desamor...
Agora ele estava em paz.
Havia um certo sorriso em seu rosto desfigurado pela queda.
Havia um ar de paz.
Ninguém acreditava que ele seria capaz.
Mas Ele se foi.
Foi viver em outro mundo.
Foi encontrar com Ela em outro campo de girassóis.
Ele tinha esse direito.
Ele tinha o direito de ser feliz.
Escolheu o caixão, as flores, o cemitério, o velório, as músicas, contratou o bufê...
Deixou tudo pronto.
Ao terceiro sinal ele adentra a cena
Parecido com Hamlet:
“ser ou não ser? Eis a questão.”
E finaliza a peça da sua vida.
Bravo! Bravo! Bravo!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
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