No centro do teu olhar
Eu passo como por acaso
Numa noite serena e
Fico preso como um pássaro no visgo
Momentos de agonia antes do último suspiro
Preso como uma vítima enlaçada pelas teias da aranha
Gritos de prazer
Ódios explodem no peito
Saliva escorre como veneno
Vingança no lugar de esperança
Planetas azuis
Nuvens semitonadas
Bach com suas notas penetrantes
Rawel com seu bolero hipnotizante
Ponta de pé no chão de barro
Risca caminhos tortos
Pelo agreste do seu amor
Solitário eu calo
Observo o dia passar
Sem manifestação
Não há mais asas para voar
Sonhos emaranhados pelas teias
Não estão à mesa da ceia
O Pai já se foi
Não há mais o que comemorar
A luz se apaga no candeeiro de querosene
A dança continua nua pela rua
Os ferimentos sangram sem cessar
Lágrimas vermelhas
Tenho fome de viver
Longe daqui o colibri flutua e se embriaga
Eu calado permaneço inerte.
RIO, 06/01/10

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