quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SEM NADA

No centro do teu olhar

Eu passo como por acaso

Numa noite serena e

Fico preso como um pássaro no visgo

Momentos de agonia antes do último suspiro

Preso como uma vítima enlaçada pelas teias da aranha

Gritos de prazer

Ódios explodem no peito

Saliva escorre como veneno

Vingança no lugar de esperança

Planetas azuis

Nuvens semitonadas

Bach com suas notas penetrantes

Rawel com seu bolero hipnotizante

Ponta de pé no chão de barro

Risca caminhos tortos

Pelo agreste do seu amor

Solitário eu calo

Observo o dia passar

Sem manifestação

Não há mais asas para voar

Sonhos emaranhados pelas teias

Não estão à mesa da ceia

O Pai já se foi

Não há mais o que comemorar

A luz se apaga no candeeiro de querosene

A dança continua nua pela rua

Os ferimentos sangram sem cessar

Lágrimas vermelhas

Tenho fome de viver

Longe daqui o colibri flutua e se embriaga

Eu calado permaneço inerte.

RIO, 06/01/10

Nenhum comentário:

Postagens populares