quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ABSTINÊNCIA FILOSOFAL

Ninguém nunca vagou na madrugada a procura de absinto ou de qualquer outra substância que os livrasse da culpa ou do medo.
Ninguém presenciou a revolta da ode maligna em busca de almas, sexo ou qualquer outra coisa que os fizesse abstrair o medo ou a solidão existencial.
Ninguém ouviu o discurso do bêbado filosófico, enfurecido e efeminado na orgia dos anjos.
Ninguém bebeu o conhecimento em doses de vinho no Santo Graal pelo caminho da crucificação, em busca da salvação ou de qualquer outra coisa que nos livre do suicídio.
Eu não vou mais me esconder no banheiro e, muito menos, fingir que estou dormindo.
Seja pra onde for eu não quero mais fingir ser quem não sou só para agradar os outros.
Eu não vou mais ficar parado esperando que volte a ser a minha vez.
Ninguém deseja patrocinar os meus sonhos!
Ninguém se oferece para pagar as minhas contas.
Ninguém se ofereceu para ser crucificado no lugar de Cristo!
Dêem-me a oportunidade de dormir em paz, mesmo que seja por uma noite apenas e ter sonhos;
Sonhos de uma noite de verão.

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