sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
- O ÚLTIMO CAMINHO- R.Rosman.
olhou pela janela e viu que o céu estava estrelado
ouviu um grito que vinha do seu âmago e acordava o bairro inteiro
uma tristeza estranha e sem sentido aparente
sabia que para passar pelo buraco da agulha teria que se desfazer de tudo que carregava
outrora era feliz e sem culpa dessa felicidade
atualmente pensa sobre todas as coisas que o cerca
sente a dor alheia
durante a noite interrompida, caminha pela casa vazia
toma uma cerveja solitariamente
ouve vozes e poesias soltas que passam como vídeos pela parede
flutua pelo ar
penetra nas veias
o dia chega rápido e cinza
hoje não haverá sol!
sabe que para seguir em frente terá que deixar tudo que está carregando
sabe que o que vai lhe trazer a vida de volta está dentro de si
os sorrisos estão amarelados e em câmera lenta
sente-se um observador de fora
ele sabe que a dor vai aumentar a qualquer momento
sente-a anunciar
os guetos estão sujos
as almas estão podres
não há mais felicidade completa em nada
ele tem um brilho no olhar de tigre
seus ouvidos captam os segredos dos quartos
os gritos de morte
de revolta
sabe que bem perto dalí pessoas estão famintas
sabe que casas estão desabando
que vidas estão partindo apressadamente
mas ele tem uma esperança cega
não é cem mil reais que vai livrá-lo do abismo
não há medo em seus olhos claros
há sangue e energia
existem vários caminhos, mas só um o levará à felicidade plena
e ele sabe disso
corre um arrepio na espinha e ele chora em silêncio
existe um homem e ele sabe disso
ele sabe onde encontrá-lo
ele está dentro
está lhe aguradando para dar uma festa
todo filho pródigo merece uma festa
mais vale a ovelha que se perdeu!
o que fazer em nome do amor?
muitos matam
outros segregam
outros mais enganam
mas só a verdade poderá libertar
ele sabe e conhece esse caminho estreito por entre as árvores
conhecemos muitas pessoas pela aparência ou pelo som da voz
mas o verdadeiro conhecimento vem dos céus
há de se ter ouvidos para ouvir e boca para falar
seu corpo ferve atirado no sofá da sala
é alí que está a realidade
ele com ele mesmo
no silêncio e na solidão
ele precisa realizar uma limpeza nos seus pensamentos
sua mente está conturbada
seu coração confuso
entre saber e conhecer há uma enorme diferença
entre conhecer e querer há um abismo
ele conhece os poetas e dramaturgos antigos
ele conhece os mestres gregos, italianos, alemães, espanhóis...
ele sabe da serpente que risca a areia quente do deserto do México
ele sabe dos chás de cascas de raízes
a constelação que representa o leão e o touro
há pedras e penhascos pelo caminho da libertação
por isso é mais cômodo ficar onde está
é mais agradável se enganar!
a libélula desenha no ar o arco da entrada da cidade sagrada
às vezes os pais matam os seus póprios filhos
e às vezes são os filhos que matam os pais
mas o amor pelas mães é freudiano
toda inteligência é burra
ele se sente perdido
vazio
anestesiado
acorrentado
uma rosa arrancada do jardim perde o seu significado
não há um recomeço
tudo tem uma continuação
a vida é feita de fases e ele sabe disso
faça tudo que há para fazer
realize seus objetivos
todos têm sempre um porquê nessa vida
há coisas para serem feitas
ele sempre perde o sono
todo noite é um parto solitário
a única companhia é uma navalha espanhola
a mesma que Deus usou para se suicidar
Mas Deus sempre ressucita
há uma reunião entre Deus e o Diabo para decidirem o que será feito do próximo ano
ele sabe como o próprio Fausto sabia sobre Mefistófelis
todos têm suas Margaridas e Maries
na verdade todos somos Woyzecks
Todos somos títeres de um criador sarcástico
ele termina a sua segunda cerveja e volta para sua cama em busca da morte eminente
quisera estar morto quando acordasse
mas nem todos os nossos desejos serão realizados
será que estamos preparados para o fracasso?
ele pensa que não.
então ele desmaia pela manhã nos braços de Morfeu.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
POUCAS PALAVRAS R.Rosman.
procuro estar atento aos fatos
passo por vias e estradas movimentadas
quero os meus drinks coloridos e adocicados, mas não quero o seu mau humor neurastênico
toda lua é fria
todo amor é morno
eu olho o caminho que preciso passar
mas digo: NÃO!
agora não!
deixe-me aqui mais um pouco.
a grama ainda sobrevive a esse verão
esse mar é um bruxo que te hipnotiza
essa brisa é um xamã que te tira do eixo
eu não faço mau nenhum
só quero ir ao samba hoje a noite
quero ver o sorriso da mulata da Mangueira
eu sou tão simples que você já deveria me conhecer a fundo
deixa tocar Rolling Stones, baby
me deixa aqui quietinho com a minha cerveja
aí fica tudo bem
não importa a conta do restaurante
eu sei ser politicamente incorreto
dá-me a chave do carro que eu vou dirigindo
quem sobe no morro vai buscar alegria
quem vai à farmácia também
eu não sou apológico
não respeito as placas
o cordeiro já foi imolado
o menino já foi crucificado
Mick Jagger rebola com os rifes dos Stones
faz frio e chove
mas tá muito quente aqui
acompanhado e sozinho
com fome
com frio
mas alegre
porém
não feliz.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
madrugada- por R.Rosman
madrugada é um tempo intermediário entre a noite e a manhã.
nesse momento de vazio, há um silêncio que grita e se faz ouvir
há conversas com móveis e paredes
há passeios pelos cômodos escuro
há reflexões de acontecimentos e de vida
há filmes cults e filmes antigos, sessões de documentários de tudo que se possa imaginar
a madrugada é um vácuo no tempo
é uma pausa na vida
é um espaço aonde podemos fazer muitas coisas sem culpa
as regras são diferentes, pois, o sistema dorme
a lógica dorme
a razão dorme
a minha esposa dorme
no meu quarto frio e escuro, eu passeio pelos canais
visito a cozinha e ando pela sala em busca de não sei o quê
perambulo pelos corredores, desço e subo escadas, abro e fecho portas
tento encontrar o que nem eu sei que estou procurando
sei que preciso dormir
a manhã já desponta no horizonte
dezoito graus no meu quarto
silêncio absoluto
respiração profunda e lenta
na madrugada tudo tem outro sentido
outra cor
outro brilho
outro cheiro
uma outra intenção
um outro norte.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
nunca está bom o suficiente- por R.Rosman.
nunca estou satisfeito com nada
posso ter tudo ao meu redor, mas sempre vou buscar o que não tenho.
coisa de gente insana.
coisa de gente que não fica feliz tão fácil.
a vida pode ser boa, mas pra mim, bom não é o suficiente.
existem coisas que são essenciais e outras que são necessárias.
qual é a diferença?
só você pode descobrir.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
- sobre a minha dor- por R.Rosman.
em casa
tears for fears
vídeos antigos
queem
bon jovi
ah ha
entre tantos
nostalgia?
não!
lembrança do passado bom.
cerveja
amores
músicas
momentos
sensações
a vida é uma enciclopédia
cada coisa no seu lugar
casa de pedra
cor de vento frio
amores alucinógeos
meus medos são projetados
na parede da minha casa
minha vida morta
louca
acesa
vento frio do mar
internet
meu sinal sem sinal
meu amor morto na cama
será posto no caixão
enterrado na grama do condomínio
a piscina continua cintilante
meu mergulho raridade
meu grito, velado
vídeos
a noite está quente e fria
eu estou bêbado e alegre
a felicidade me parece algo fora do alcance
algo fora da minha realidade
nunca fui feliz
sempre fui alegre
olhem meu sorriso!!!
antes que se feche
pra sempre
a dor ainda grita aqui perto
entranhada no meu peito
fantasmas surgem e se vão
da minha visão
vento frio e furioso
o passado soca o estômago
quero voltar
mas aonde está a porta?
eu quero muito passar, mas eu não acho a saída!
a liberadade está dentro de cada um de nós.
e eu nunca fui livre.
mas se está tudo bem... ótimo.
não me ligue e nem me procure pela internet.
me deixe em paz no meu canto.
eu já sofri muito e agora eu descanço
não me traga mais desgostos e sofrimentos
a minha conta já está paga.
já não acredito mais em amor pra sempre.
tudo tem tempo de validade.
o amor não seria diferente.
tudo tem cor
tudo tem cheiro
cada céu tem um azul diferente
enquanto houver ar nos meus pulmões eu estarei com a bandeja na mão.
meu amor se relaciona com um sanduiche no sofá azul em nossa sala branca gelo
mister Ed Mota canta na nossa noite
aqui há tudo
estruturas desfeitas e inacabadas, paredes foscas bicolores, dores espalhadas pelo chão, lágrimas secas na face, etc.
a luz negra transpassa a cor da nossa realidade cuel
há uma orquestra que envolve as nossas emoções
há um sentimento estranho e desconhecido que nos deixa introspectivos
eu só sei que existe um precipício
e eu penso em me atirar dele
mas a paisagem é triste
minha Eurídece não está no hades
triste é saber da sua dor que não estanca
que não te abandona
que não te esquece.
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