sábado, 16 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ABSTINÊNCIA FILOSOFAL

Ninguém nunca vagou na madrugada a procura de absinto ou de qualquer outra substância que os livrasse da culpa ou do medo.
Ninguém presenciou a revolta da ode maligna em busca de almas, sexo ou qualquer outra coisa que os fizesse abstrair o medo ou a solidão existencial.
Ninguém ouviu o discurso do bêbado filosófico, enfurecido e efeminado na orgia dos anjos.
Ninguém bebeu o conhecimento em doses de vinho no Santo Graal pelo caminho da crucificação, em busca da salvação ou de qualquer outra coisa que nos livre do suicídio.
Eu não vou mais me esconder no banheiro e, muito menos, fingir que estou dormindo.
Seja pra onde for eu não quero mais fingir ser quem não sou só para agradar os outros.
Eu não vou mais ficar parado esperando que volte a ser a minha vez.
Ninguém deseja patrocinar os meus sonhos!
Ninguém se oferece para pagar as minhas contas.
Ninguém se ofereceu para ser crucificado no lugar de Cristo!
Dêem-me a oportunidade de dormir em paz, mesmo que seja por uma noite apenas e ter sonhos;
Sonhos de uma noite de verão.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SEM NADA

No centro do teu olhar

Eu passo como por acaso

Numa noite serena e

Fico preso como um pássaro no visgo

Momentos de agonia antes do último suspiro

Preso como uma vítima enlaçada pelas teias da aranha

Gritos de prazer

Ódios explodem no peito

Saliva escorre como veneno

Vingança no lugar de esperança

Planetas azuis

Nuvens semitonadas

Bach com suas notas penetrantes

Rawel com seu bolero hipnotizante

Ponta de pé no chão de barro

Risca caminhos tortos

Pelo agreste do seu amor

Solitário eu calo

Observo o dia passar

Sem manifestação

Não há mais asas para voar

Sonhos emaranhados pelas teias

Não estão à mesa da ceia

O Pai já se foi

Não há mais o que comemorar

A luz se apaga no candeeiro de querosene

A dança continua nua pela rua

Os ferimentos sangram sem cessar

Lágrimas vermelhas

Tenho fome de viver

Longe daqui o colibri flutua e se embriaga

Eu calado permaneço inerte.

RIO, 06/01/10

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