Estive, como sempre, lendo as crônicas do jornal O Globo quando de repente, deparo com um texto do Joaquim Ferreira Dos Santos, onde se lê no título:
"Não leia! Excesso de notícias queima neurônios e a camada de ozônio."
No artigo o autor diz para nós, os leitores, não ler a sua crônica! Diz que não tem nada a declarar!
Isso é genial!
Sou fã declarado do Arnaldo Jabor como cineasta e como cronista. O seu filme, "EU SEI QUE VOU TE AMAR," devo ter visto umas trinta vezes.
Mas voltando ao raciocínio, ele, o Arnaldo, atira as palavras na nossa cara e, como se fossem bofetadas estaladas, nos faz dispertar de um possível sonho, onde o mundo é cor de rosa e nenhum terremoto pode sacudir a nossa vida (como sacudiu a China).
Ele é cítrico!
É como um copo de vodka gelada.
E nessa mania de ler, esbarro hoje com uma crônica de Cora Rónai, onde ela fala sobre nós e o consumismo. Mas seria muito simples se ela tocasse apenas nesse assunto pelo prisma da crítica, mas é mais que isso. Ela se coloca dentro do furacão! Se intitula mais uma nessa ciranda de promoção dos dias das mães!
Engraçado. O que parece é que houve um dispertar do inconsciente coletivo que, até então, estava dormindo num sono profundo e alienativo!
Nas crônicas se fala de tudo. Desde a novela das oito até sobre a verba da Petrobrás destinada as Cias. de Dança Contemporânea.
Os artistas no Brasil são subnutridos! Permitam-me parafrasear Nelson Rodrigues.
Se Vinícius de Moraes tivesse vivo, morreria de desgosto! Permitam-me Parafrasear Toquinho.
Que bom que posso contar com essas pessoas que escrevem para que não morramos de tédio e desgosto, durante a viagem até o trabalho.
A cada manhã somos salvos da alienação funkeira.
O que me importa melancias, bananas e outras frutas?
O que me importa Adrianas e Ronaldos?
Absolutamente NADA!
O que me importa é não deixar que matem a arte! Que sucateiem os teatros!
É não deixar que acabem com a Floresta amazônica sem, ao menos, ouvirem meu grito!
Que as crônicas dos jornais desse País possam servir de alerta e despertar para não nos deixar cair no sono da desesperança.
Não é mesmo, Arthur Xexéu?
por R. Rosman.