sexta-feira, 5 de agosto de 2011

LÍNGUA –



A minha língua roxa

Manchada pelo vinho tinto

Passeia pela sua pele negra- contrasta.

E quando passa roça, eriça as células sanguíneas nas tuas veias

Que correm como rios submersos

À caminho dos terminais nervosos da sua aldeia

Desembocando no seu jardim de cerejeiras-

Enquanto a língua alisa os poros e pêlos

Seu corpo estremece por inteiro

Umedecendo a fonte que brota dentre as suas coxas lisas

Exalando o aroma mais doce existente-

No meu toque

Minha língua segue anestesiada pelas esquinas do seu corpo

Perseguindo cegamente a sua,

Sorvendo o seu gosto de uva

Em um estranho balé carnal

Até o desabrochar da sua flor de lótus

Silenciosa e quente-

Você é como um violino:

Seus fios de cabelo, sua curvas, seus gemidos agudos...

Eu te toco e você vibra, reverbera.

Sua pele riscada de roxo pela minha língua,

Exala o bouquet da avassaladora e insana paixão-

Tua geografia é agreste.

Teu ventre, campestre.

Teus olhos, celestes...

A orquestra muda, cala nossa ópera bufa,

Adentra o palco desiluminado como troféu de fogo:

Quente, ardente, fremente, macio e profundo.

Peles, pêlos, línguas, cabelos, mucosas...

Teu corpo eclode com espasmos vulcânicos e gemidos incompreensíveis

Indecentes

Excitantes

Enquanto a vinha resplandece

Você emudece

Você se esquece

Ali

Inerte.

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