A minha língua roxa
Manchada pelo vinho tinto
Passeia pela sua pele negra- contrasta.
E quando passa roça, eriça as células sanguíneas nas tuas veias
Que correm como rios submersos
À caminho dos terminais nervosos da sua aldeia
Desembocando no seu jardim de cerejeiras-
Enquanto a língua alisa os poros e pêlos
Seu corpo estremece por inteiro
Umedecendo a fonte que brota dentre as suas coxas lisas
Exalando o aroma mais doce existente-
No meu toque
Minha língua segue anestesiada pelas esquinas do seu corpo
Perseguindo cegamente a sua,
Sorvendo o seu gosto de uva
Em um estranho balé carnal
Até o desabrochar da sua flor de lótus
Silenciosa e quente-
Você é como um violino:
Seus fios de cabelo, sua curvas, seus gemidos agudos...
Eu te toco e você vibra, reverbera.
Sua pele riscada de roxo pela minha língua,
Exala o bouquet da avassaladora e insana paixão-
Tua geografia é agreste.
Teu ventre, campestre.
Teus olhos, celestes...
A orquestra muda, cala nossa ópera bufa,
Adentra o palco desiluminado como troféu de fogo:
Quente, ardente, fremente, macio e profundo.
Peles, pêlos, línguas, cabelos, mucosas...
Teu corpo eclode com espasmos vulcânicos e gemidos incompreensíveis
Indecentes
Excitantes
Enquanto a vinha resplandece
Você emudece
Você se esquece
Ali
Inerte.

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