terça-feira, 25 de janeiro de 2011

LAGARTAS E BORBOLETAS

METAMORPHOSIS
Água parada também apodrece
Assim como nossos sonhos
Nossos amores
Nossos corpos.
A vida não para.
A vida se transforma.
O amor não deixa de mover-se
De transformar-se
Mudança de cores
De texturas
De odores
De sabores...
A vida brinca como uma criança
Em um parque de diversões
Pula de brinquedo em brinquedo
O amor muda
Só não muda o objeto amado
Ou, às vezes, também muda.
Mas não acaba nunca.
Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, já dizia o grego.
Não sei se bebia vinho quando desenvolvia suas filosofias,
Mas geralmente andavam alcoolizados pelo néctar de Baco.
Dionísios passeava pelas vinhas
E os homens contavam e bebiam
Em festas sexuais, ditirâmbicas.
As músicas espocavam nas noites
As uvas quando não são colhidas
Caem dos cachos
E criam novos ramos com suas sementes misturadas a areia
Dizem que o homem veio do barro
Tudo veio da lama
A origem de tudo é a água
Mas mesmo a água
Se não se renovar ou me movimentar
Apodrece.
Pensamentos petrificados
Síndrome de Gabriella (Jorge Amado).
Andar para trás ou para frente
Mas andar
O passado alicerça
O futuro é nuvem
A nuvem é água
A Terra é água
O corpo é água
A lágrima é a alma em forma líquida.
Até a lagarta se transforma numa linda borboleta!

POR ronald rosman


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

CHUVAS DE VERÃO!

Entra ano e sai ano, e nada muda!
a cada verão mais e mais vidas são ceifadas por incompetência do poder público
os rios não são limpos, as ruas não são cuidadas, as encostas estão abandonadas, bem como toda a população!
Não falo de Estado 'X' ou 'Y'. Eu falo do Brasil! Eu falo das cidades humildes do interior, eu falo das regiões serranas, falo do sertão, falo do litoral, falo de todas as cidades do Brasil!
A omissão dos políticos na criação de projetos que realmente sirvam para a bem da população e não para o bem deles (políticos), próprios, desperta a ira!
A vida do povo nesse País não vale muito!
E quando ocorrem as tragédias anunciadas, todos usam a desgraça alheia como trampolim político.
É triste ver a população entregue a sorte.
Que Deus nos livre e nos proteja!
Amém!
Se cuidem!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ESPÍRITOS DA FLORESTA BRANCA
Serpenteia a víbora do seu covil pela neve
Azulada pelos raios de sol âmbar
Em busca de alimento de sangue quente
Seus olhos fitam o vazio tentando enxergar com sua língua bifurcada algo que se mova naquele local inóspito
Há um limite traçado no chão de algodão
Há uma árvore queimando próximo a uma cesta de maçãs vermelhas
Ouve-se som do vento cortando as planícies
Como se alguém viesse assoviando uma antiga canção xamântica
Há manifestações entranhas naquela paisagem
Gritos e gemidos
Danças e percussões
A víbora come as maçãs da cesta
Escorre sangue das suas presas
Seres incandescentes saltam da árvore em chamas
Dançam e criam um círculo ao redor da víbora ensanguentada com olhos de fogo
Neva
Faz frio
Mas os tambores são ouvidos pelas planícies
Seres andrógenos nus se esfregam de desejo
Peles cintilantes arrepiadas ora machos, ora fêmeas se entregam ao prazer
Penetram-se
Sem pudores e recusas
Orgasmos
Gritos
Fogo
Frio
Corpos empilhados
A VÍBORA SE ENROSCA
SUGA OS SEIOS
PERFURA A CARNE COM SUAS PRESAS
Penetra nos corpos
Troca de pele
Esguicha sangue criando uma inscrição inteligível no chão branco
Do céu cinza desce outro ser de luz cintilante
E todos se curvam em sua presença
O Rei corta algumas cabeças que se transformam em jardins e árvores
Ele lambe o fogo e bebe o sangue
Ele pisa a cabeça da víbora
E arranca suas presas
E toca um chofar que ecoa pelos vales
Olhos vidrados, ejacula e banha todos com seu sêmen fluorescente
A noite banha a floresta de negro e traz contraste com os seres cintilantes
Cânticos xamânticos proféticos explodem na noite
Até que todos penetram no Rei pela sua pele de fogo
E este some num raio de luz
Zapt!!!
O silêncio toma a floresta.
Amanhece...

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