sexta-feira, 27 de março de 2009

"senhoras e senhores, trago boas novas!!!

a cada dia um terço;

uma ladainha;

uma reza;

uma oração;

uma lamúria...

a cada dia um sagrado;

um santo;

um pacto;

um Deus.

a cada dia uma morte;

um final;

um fechar de portas;

um corte.

já não conto as cicatrizes.

já não me permito chorar.

as crianças giram alheias ao girar do mundo.

a cada dia um novo aroma;

um novo sabor;

um novo toque;

uma nova sensação...

a porrada estala na face!

o doce do vinho;

a resignação;

a óstia;

a missa;

a hipocrisia;

a tradição.

palavras sobre palavras.

uma pilha de poemas.

pra quê?

redondilhas, rimas, métricas...

o ruído do balanço faz pensar; traz a noção de tempo

não há ninguém aqui. nem eu, às vezes. entro e saio. só ouço vozes.

a cada segundo muda tudo.

a cada fração;

a cada NÃO.

a cada ação.

o tempo é perigoso, silencioso, traiçoeiro...

eu entro no vazio e saio dele.

fico de longe olhando o tempo como Drummond.

meu sangue jorra como esperma quente!

a solidão é uma espinha na garganta.

eu estou longe!

estou numa praia deserta.

a cada som;

a cada Tom;

a cada melodia...

Luizas...

que dia é hoje?

que horas são?

e essas pessoas, pra onde irão?

fazem parte de que mundo?

a cada vida me permito o direito de abdicar da razão.

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o amor é taça de cristal!

meu sangue lusitano não me permite viver sem Ele!

meu sangue italiano me obriga a tê-lo!

como disse o poetinha:

"se não tê-los, como sabê-los?"

o amor é como filhos:

só sabemos quando os temos!

amor vicia como os filhos; como drogas.

amor é bom quando é ambíguo.

amor tem que ser plural!!!

amor é casa de dois quartos.

amor é como o do meus pais: pra sempre.

só acredito em amor assim: eterno!

me nego a acreditar em amorzinho de bôdas de algodão.

não!

não creio!

amor que é amor, dói, arde e queima o peito,

mas depois acalma e volta a sangrar.

é!!!

amor sangra!!!

o amor tem suas próprias razões!

ele afoga!

ele transforma!

ele ressuscita!

a justiça...ela condena! mas nem sempre justamente.

Caetano disse que´o amor é cego!

essa seria uma das qualidades do amor!

dizem que a justiça é cega, mas ela não tem nada a ver com o amor.

o amor não se prende a conceitos de justiça.

ele apenas é.

ele não julga, mas, às vezes, condena.

ele não é violento, mas, às vezes, mata!

o amor enxerga mais sem ver do que a própria estética e a poética aristotélica.

não se vive de amor, mas sem ele não se sobrevive.

que conceito paramentar?

onde Ele se encaixa?

qual a prateleira?

qual a caixa?

onde guardar?

a justiça aponta.

a justiça cerceia.

mas só o amor redime!

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