a cada dia um terço;
uma ladainha;
uma reza;
uma oração;
uma lamúria...
a cada dia um sagrado;
um santo;
um pacto;
um Deus.
a cada dia uma morte;
um final;
um fechar de portas;
um corte.
já não conto as cicatrizes.
já não me permito chorar.
as crianças giram alheias ao girar do mundo.
a cada dia um novo aroma;
um novo sabor;
um novo toque;
uma nova sensação...
a porrada estala na face!
o doce do vinho;
a resignação;
a óstia;
a missa;
a hipocrisia;
a tradição.
palavras sobre palavras.
uma pilha de poemas.
pra quê?
redondilhas, rimas, métricas...
o ruído do balanço faz pensar; traz a noção de tempo
não há ninguém aqui. nem eu, às vezes. entro e saio. só ouço vozes.
a cada segundo muda tudo.
a cada fração;
a cada NÃO.
a cada ação.
o tempo é perigoso, silencioso, traiçoeiro...
eu entro no vazio e saio dele.
fico de longe olhando o tempo como Drummond.
meu sangue jorra como esperma quente!
a solidão é uma espinha na garganta.
eu estou longe!
estou numa praia deserta.
a cada som;
a cada Tom;
a cada melodia...
Luizas...
que dia é hoje?
que horas são?
e essas pessoas, pra onde irão?
fazem parte de que mundo?
a cada vida me permito o direito de abdicar da razão.
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o amor é taça de cristal!
meu sangue lusitano não me permite viver sem Ele!
meu sangue italiano me obriga a tê-lo!
como disse o poetinha:
"se não tê-los, como sabê-los?"
o amor é como filhos:
só sabemos quando os temos!
amor vicia como os filhos; como drogas.
amor é bom quando é ambíguo.
amor tem que ser plural!!!
amor é casa de dois quartos.
amor é como o do meus pais: pra sempre.
só acredito em amor assim: eterno!
me nego a acreditar em amorzinho de bôdas de algodão.
não!
não creio!
amor que é amor, dói, arde e queima o peito,
mas depois acalma e volta a sangrar.
é!!!
amor sangra!!!
o amor tem suas próprias razões!
ele afoga!
ele transforma!
ele ressuscita!
a justiça...ela condena! mas nem sempre justamente.
Caetano disse que´o amor é cego!
essa seria uma das qualidades do amor!
dizem que a justiça é cega, mas ela não tem nada a ver com o amor.
o amor não se prende a conceitos de justiça.
ele apenas é.
ele não julga, mas, às vezes, condena.
ele não é violento, mas, às vezes, mata!
o amor enxerga mais sem ver do que a própria estética e a poética aristotélica.
não se vive de amor, mas sem ele não se sobrevive.
que conceito paramentar?
onde Ele se encaixa?
qual a prateleira?
qual a caixa?
onde guardar?
a justiça aponta.
a justiça cerceia.
mas só o amor redime!

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