quinta-feira, 2 de agosto de 2007



- CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA-
Por ronald rosman

Eu vou falar
Mesmo que não queira me ouvir
Eu vou abrir
A minha alma
E sangrar o verbo
Verter pela língua roxa
Expressar a dor
Se não quiser ouvir
Cerre os ouvidos
Fure os tímpanos
Saia de perto de mim
Mas não me diga para calar
Não me rotule
Não me cerceie a voz
Não seja meu algoz
Não me impeça de dizer
De expressar-me
De sangrar a alma
Quero dizer o que sinto
Quero lançar minha voz
Sem censura ou proibições
Sem meias palavras
Eu vou falar
Tudo que eu quiser
Do jeito que achar melhor
Tenho direito de usar a voz
De derramar a alma
Se não quiser ouvir
Vá embora
Saia de perto de mim
Enterre a cabeça na terra
Suma para raio que o parta
E não seja cínico
Não seja ridículo
Não seja imbecil
Não preciso de interlocutor
Falo sozinho
Falo pra mim mesmo
Falo pra Deus, falo depois.
É impossível ser feliz a dois
Quem diz que sim, mente.
É um exercício de opressor e oprimido
Alguém é sempre o carrasco
Um sempre corta a cabeça do outro
Não me diga para calar a boca
É minha alma quem fala
É meu coração que grita
Grita por liberdade
Grita por amor de verdade
Chega de dissimulação, falsidade.
Chega de proibições
De traições
De verdades pela metade
Eu vou falar quando quiser falar
E calar quando quiser calar
Não será você quem dominará o meu verbo
Não será você que tapará a minha boca
Não é me calando
Que irá se sentir melhor
Não é me censurando
Que se sentirá mais inteligente
Não será o meu silêncio
Que transformará a tua forma de pensar
Não é me calando
Que você vai aprender a raciocinar
Eu vou falar
Tira a mão da minha boca
Tire a amordaça
Não me ameaça
Não me intimida
Mesmo em um beco sem saída
Mesmo no abismo
Mesmo no fim da linha
A voz é minha!
Mesmo no leito de morte
Com azar ou sorte
Ao sul ou ao norte
Eu vou me expressar
Discursar
Verbalizar
Vomitar tudo que está preso
Tudo que guardei por educação
Acusação
Não me venha pedir-me perdão
Quem cala, consente.
E eu não calo!
Eu falo!
Doa a quem doer
Fale quem quiser falar.
O que eu penso, vou falar.
O que eu sinto, vou dizer.
E não será você
Quem me fará
Travar a minha voz.
Se não quiser ouvir
A porta é essa aí.
Vá!
E não precisa voltar.
Quem não fizer bem para mim
Que se vá para o Ecuador
Só não lhe envio
Pra puta que te pariu
Porque seria injusto com a puta
Pois comparando tu madre com a puta
Estaria insultando a moral dela (da puta)
Nunca vi bananeira dar coco
Nunca vi esgoto virar água pra beber
Nada de bom vem do cu
É merda ou gases fétidos
Não poderia ser diferente
Não me impeça
Não se meta
Não se arrisque
Eu não me calo
Vou cuspir
Vou escarrar
Vou vomitar
Não me faça “psiu”
Não tente me dominar
O jegue sempre puxa a carroça
Mas é conduzido pelo caboclo
Vale mais o verbo
Do que a força bruta
Ouviu
Seu filho da puta!
Filho da besta!
Não tente manipular a minha razão
Eu conheço dissimulação
E pra bem dizer
Já está bem démodé
Quem não estuda
Nunca vai aprender
Pra mandar, antes é precisa saber.
Não levante o dedo
Não me mande calar
Não tente me censurar
Nem você e nem ninguém
Dignidade é pra quem tem
Nunca me vendi por vintém
E quem é você
Que já deu de graça
Que já fez até no banco da praça
Quem é você?
Com que direito
Quer vir me interpelar?
Que autoridade?
Quem é você de verdade
Sem essa máscara?
Não calo!
Falo!
Grito!
Vomito!
Pra me intimidar
É preciso bem mais que isso.
Pelo menos as putas estão ganhando a vida!
É bem mais honesto
Do que abrir as pernas
Em forma de protesto!
Contesto!
Cada um sabe do seu cu!
Cada um sabe de si!
Eu sei de muito mais coisas
Do que já vi
Levei tanta porrada
E ainda estou aqui
Verbalizando!
Desafiando!
Criticando!
E quem você pensa que é
Para vetar o meu verbo
Para conduzir meu discurso?
A sua intelectualidade
Foi construída nos quadrinhos dos jornais!
Quanto você cobra pra me deixar em paz?
Será que trinta moedas te satisfazem?
Quanto custa o seu beijo de traidor?
Dissimulador!
Canalha!
Filho de la putana!
Não me aluga!
Pra ti, felicidade é grana!
Acordos e propinas
Com meninos ou com meninas
Tanto faz
O importante
É lubrificar
Só pra não esfolar
E incomodar na hora de andar
Gozar?
Isso é conseqüência!
Não concentra a atenção!
Até pra ser puta é preciso charme!
Pra ser poeta é necessário, no mínimo ser alfabetizado.
Otário!
Mané!
Me esquece!
Me erra!
Finge que vai cagá
E sai de fininho!
Você não vai fazer falta!
É menos um pra alimentar
Pra ter que aturar
Não me diga o que dizer
O que falar.
Não me manda calar!
E sai da minha frente
Se não eu vou te atropelar!
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