segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Carla no SESC Petrópolis - RJ.






















































- AUTOPENETRAÇÃO –
Por Ronald Rosman

Venha comer a minha carne
Venha beber o meu sangue
Venha antes que esfrie
O tempo espreita a caça
E Peca pelo excesso de cuidado
Não meça as palavras
Arremessa no alvo
Acerte no centro do meu hipotálamo
As flores do deserto são raras
É difícil de encontra-las
E eu estou no meio do nada
Penso que vejo as flores desabrochar
Penso que vejo pássaros comerem o olho da lebre
Penso que vejo os ¹Taramauaras dançarem em volta da fogueira
Onde queimam as bruxas medievais
Onde acena pra mim Joana Dark, Artaud, Bispo do Rosário...
Aldeões pisam nas vinhas do deserto
Esmagam cachos roxos
Expurgam o suco escuro
Como na noite fria
Onde nos aquecemos com raízes de ²Peyote
Onde fugimos da serpente de duas cabeças
Aqui no meio do nada eu consigo enxergar
Tudo.
A serpente busca a minha garganta
Ela se arrasta pela areia ainda quente pelo sol
Busca-me com a sua língua bifurcada
Enrosca-se
Provoca-me
Atrai-me
Ata-me com seu corpo cintilante
Refletindo a luz da lua vermelha.
Os índios proferem seus cânticos ritualísticos
A cuia de vinho passa de mão em mão
Há uma energia silenciosa que transcende a lógica.
Meu corpo estremece
Anunciando uma espécie de gozo
Perco a sensibilidade da pele
A mente entra em transe
As cores saltam dos olhos - Faróis de luzes multicores
Viajam como cometas pelas colinas
Feixes de luz.
O vinho desce amargo e doce
Aquecendo as tripas
Tocando a alma
Abrindo a mente
Sons de tambores ecoam nos ouvidos
Uivos evocam a manifestação divina
Mulheres nuas se esfregam nas areias vermelhas
Serpenteiam com a grande serpente
Mamam de suas tetas
O Veneno que traz a cura
O fogo incha
Azul, vermelho e amarelo.
Incensos emprenham o ar de gosto
Surge um leão de fogo
Que vem nos salvar de nós mesmos
Ele lança labaredas pelas ventas
E nos livra de nossa mente
Mistérios órficos espalham-se pelas canções e danças
Provocações
Incursões pelo deserto que tangencia o abismo
E o leão estava em nós
Dentro de nossas mentes acorrentadas
Pelos medos e culpas judaico-cristãs
Flautas sagradas de bambu penetram com suas notas orgásticas às profundezas de nossas entranhas inconscientes
“O corpo é a prisão da mente até que os cinco sentidos estejam desenvolvidos e abertos.”
O ³xamã desenvolve um ritual ¹intersemiótico
Invade por todas as portas abertas ou emperradas
“As pessoas são atraídas pelos tiranos”.
Um festival de ²fanopéia.
“Há sangue na rua acima de meu tornozelo”
A vida está dentro
Há vida dentro!
Deixe-se cavar o poço fundo!
O leão e a serpente dançam
Enroscam-se
Penetram-se
Contaminam-se
“Ela chegou na cidade e se foi com a luz do sol nos cabelos”
A pele livra-se do corpo
Livra-se dos ossos, do peso.
O cérebro espalha-se pelo espaço
Vomita os conceitos estabelecidos
Evacua os pais
Os carrascos
Os amores
Os medos...
O corpo flutua, leve.
³Simbiose
Alma e espírito
Sagrado e humano.
Lágrimas espocam cristalinas
Espermas se misturam às salivas pela boca que uiva e grita, ensandecida.
“Quando o sexo envolve todos os sentidos, torna-se uma experiência mística...”
O deserto explode de ritmos
De sons percussivos
Corpos nus retorcidos
Gritos
Pacto de sangue
A realidade salta aos olhos!
Tudo que realmente existe
Está na imaginação
Sem o preconceito do raciocínio
A mundo real não é!
A vida, que vivemos, é falsa.
O amor que achamos sentir é um blefe
Auto-sugestão.

Não tenha medo de entrar
Não pare na porta!
Deixe-se seduzir pela serpente prateada, cintilante.
Estamos mortos e nem sabemos.
Aceitamos a condição de cadáveres
Quando confrontados no deserto
Quando dilaceramos a carne e penetramos no abismo pessoal
Nos encontramos com quem somos.
Falta-nos coragem para enxergar o leão
Para permitir ser envolvido pela serpente
Ser queimado pela chama da liberdade
Às vezes nos acostumamos com as cadeias
Com as mentiras
Percamos a cabeça!
Percamos a razão!
“Quando o curandeiro prepara-se para entrar em transe, todos os aldeãos fazem um círculo à sua volta e percutem chocalhos e tambores. Existe um constante martelar”.
“A cura é lavrada do êxtase.”
A longa noite chega ao fim
Corpos atirados uns sobre os outros
Cinzas e brasas misturadas com areia
Crepúsculo e aurora na balança do tempo
Como o último poema esquecido num papel amarelado:
“Todo o humano
se esvai
de sua face
logo ela desaparecerá no calmo
pântano vegetal
Fique!
Meu amor selvagem!
Pela manhã um silêncio ensurdecedor governa o deserto
Mas se você parar,
Os uivos e gritos da noite passada
Ecoa no âmago entre a alma e o espírito
Entre o sagrado e humano
Assim viverá eternamente
Para sempre.
Às vezes é necessário
O distanciamento
Para a aproximação.
“A sociedade é uma lavagem cerebral”.
“O ¹amor é um punhado de estratagemas que possuímos para preencher o vão da vacuidade.”

“Deixa que o vento do oeste adormeça sobre o lago,
Fala em silêncio com teus luminosos olhos
Banha de prata o crepúsculo e de repente
Retiras-te enquanto enfurece o lobo
E o leão o escuro bosque espreita.”

(Citações de William Blake, Rimbaud e Jim Morrison)

Glossário:

1 – índios mexicanos.
2 – raiz alucinógena de uma espécie de cactos.
3 – curandeiro indígena.
1 – pluralidade artística.
2 – poesia visual imagética.
3 – associação vital de dois seres de espécies diferentes.
1- indefinido.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Antes da reestréia, a busca pelos patrocínios.


Eu (Ronald Rosman) e Carla Marques (minha esposa) no SESC de PETRÓPOLIS, RJ. Em busca de pautas.

"Corrêas"- Petrópolis, RJ.

Numa das viagens em busca de pautas e patrocínios que fizemos em petrópolis, conhecemos esse paraíso.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007



- CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA-
Por ronald rosman

Eu vou falar
Mesmo que não queira me ouvir
Eu vou abrir
A minha alma
E sangrar o verbo
Verter pela língua roxa
Expressar a dor
Se não quiser ouvir
Cerre os ouvidos
Fure os tímpanos
Saia de perto de mim
Mas não me diga para calar
Não me rotule
Não me cerceie a voz
Não seja meu algoz
Não me impeça de dizer
De expressar-me
De sangrar a alma
Quero dizer o que sinto
Quero lançar minha voz
Sem censura ou proibições
Sem meias palavras
Eu vou falar
Tudo que eu quiser
Do jeito que achar melhor
Tenho direito de usar a voz
De derramar a alma
Se não quiser ouvir
Vá embora
Saia de perto de mim
Enterre a cabeça na terra
Suma para raio que o parta
E não seja cínico
Não seja ridículo
Não seja imbecil
Não preciso de interlocutor
Falo sozinho
Falo pra mim mesmo
Falo pra Deus, falo depois.
É impossível ser feliz a dois
Quem diz que sim, mente.
É um exercício de opressor e oprimido
Alguém é sempre o carrasco
Um sempre corta a cabeça do outro
Não me diga para calar a boca
É minha alma quem fala
É meu coração que grita
Grita por liberdade
Grita por amor de verdade
Chega de dissimulação, falsidade.
Chega de proibições
De traições
De verdades pela metade
Eu vou falar quando quiser falar
E calar quando quiser calar
Não será você quem dominará o meu verbo
Não será você que tapará a minha boca
Não é me calando
Que irá se sentir melhor
Não é me censurando
Que se sentirá mais inteligente
Não será o meu silêncio
Que transformará a tua forma de pensar
Não é me calando
Que você vai aprender a raciocinar
Eu vou falar
Tira a mão da minha boca
Tire a amordaça
Não me ameaça
Não me intimida
Mesmo em um beco sem saída
Mesmo no abismo
Mesmo no fim da linha
A voz é minha!
Mesmo no leito de morte
Com azar ou sorte
Ao sul ou ao norte
Eu vou me expressar
Discursar
Verbalizar
Vomitar tudo que está preso
Tudo que guardei por educação
Acusação
Não me venha pedir-me perdão
Quem cala, consente.
E eu não calo!
Eu falo!
Doa a quem doer
Fale quem quiser falar.
O que eu penso, vou falar.
O que eu sinto, vou dizer.
E não será você
Quem me fará
Travar a minha voz.
Se não quiser ouvir
A porta é essa aí.
Vá!
E não precisa voltar.
Quem não fizer bem para mim
Que se vá para o Ecuador
Só não lhe envio
Pra puta que te pariu
Porque seria injusto com a puta
Pois comparando tu madre com a puta
Estaria insultando a moral dela (da puta)
Nunca vi bananeira dar coco
Nunca vi esgoto virar água pra beber
Nada de bom vem do cu
É merda ou gases fétidos
Não poderia ser diferente
Não me impeça
Não se meta
Não se arrisque
Eu não me calo
Vou cuspir
Vou escarrar
Vou vomitar
Não me faça “psiu”
Não tente me dominar
O jegue sempre puxa a carroça
Mas é conduzido pelo caboclo
Vale mais o verbo
Do que a força bruta
Ouviu
Seu filho da puta!
Filho da besta!
Não tente manipular a minha razão
Eu conheço dissimulação
E pra bem dizer
Já está bem démodé
Quem não estuda
Nunca vai aprender
Pra mandar, antes é precisa saber.
Não levante o dedo
Não me mande calar
Não tente me censurar
Nem você e nem ninguém
Dignidade é pra quem tem
Nunca me vendi por vintém
E quem é você
Que já deu de graça
Que já fez até no banco da praça
Quem é você?
Com que direito
Quer vir me interpelar?
Que autoridade?
Quem é você de verdade
Sem essa máscara?
Não calo!
Falo!
Grito!
Vomito!
Pra me intimidar
É preciso bem mais que isso.
Pelo menos as putas estão ganhando a vida!
É bem mais honesto
Do que abrir as pernas
Em forma de protesto!
Contesto!
Cada um sabe do seu cu!
Cada um sabe de si!
Eu sei de muito mais coisas
Do que já vi
Levei tanta porrada
E ainda estou aqui
Verbalizando!
Desafiando!
Criticando!
E quem você pensa que é
Para vetar o meu verbo
Para conduzir meu discurso?
A sua intelectualidade
Foi construída nos quadrinhos dos jornais!
Quanto você cobra pra me deixar em paz?
Será que trinta moedas te satisfazem?
Quanto custa o seu beijo de traidor?
Dissimulador!
Canalha!
Filho de la putana!
Não me aluga!
Pra ti, felicidade é grana!
Acordos e propinas
Com meninos ou com meninas
Tanto faz
O importante
É lubrificar
Só pra não esfolar
E incomodar na hora de andar
Gozar?
Isso é conseqüência!
Não concentra a atenção!
Até pra ser puta é preciso charme!
Pra ser poeta é necessário, no mínimo ser alfabetizado.
Otário!
Mané!
Me esquece!
Me erra!
Finge que vai cagá
E sai de fininho!
Você não vai fazer falta!
É menos um pra alimentar
Pra ter que aturar
Não me diga o que dizer
O que falar.
Não me manda calar!
E sai da minha frente
Se não eu vou te atropelar!
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