

-PROTÓTIPOS-
Por ronald rosman
A covardia nos cerceou
Nos fez omitir a lascívia
Camuflá-la embaixo do manto
Projetou-nos à diante
Como se o futuro lá estivesse
Partimos rápido à frente
Mas deixamo-nos para trás
Amargamos o paladar da perda
A vida nos enganou
Nos passou a perna
Sinalizou para frente
Quando o futuro estava lá atrás
Mas o espírito é livre
Não se prende ao tempo
O futuro é o ontem
E não há horas nesse relógio
Quero voltar às origens
Preciso rever o xamã
Participar do ritual
Cantar e dançar na minha tribo
O tempo nos enganou
Deixamos os tesouros para trás
E fomos em busca do nada
O vazio estava lá
Em forma de conceitos sociais
Em forma de engodo, de promessas...
Temos que ter alguém para enforcar
Nosso espelho foi quebrado
E a imagem que se reflete
Está distorcida
O que eu vejo não existe
O presente é falso
Nós temos necessidade de fugir
Fugimos sempre
Queremos a porta escancarada
Saímos sem saber para onde ir
Presos às nossas amarras
Carregamos grilhões por onde passamos
Estampamos a medalha da covardia no peito
Onde foi que erramos o caminho?
Onde foi que nos deixamos enganar?
Preciso voltar para minha aldeia!
Encarar meus fantasmas sem medo!
Encontrar-me comigo mesmo
O elo perdido
Antes que seja tarde demais
Antes que esteja muito longe
Antes que perca a referência de quem eu era
O xamã continua lá no alto da colina
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Quem disse que o futuro está à frente?
Quem disse que a frente está adiante?
Quem disse que é lá que o futuro está?
Quem disse que eu quero fugir para lá?
Quem disse que para sermos felizes
Temos que abandonar nosso passado,
Negarmos nossas rugas?
Quem disse que para andarmos para frente
Temos que ir à diante?
Nossos sonhos estão dentro de nós
Faz parte do nosso espírito
Pintam uma felicidade que não existe
Desejam fabricar seres humanos em larga escala
Protótipos de robôs humanos!
Projetam um futuro para nós
Projetam a nossa felicidade
Projetam os nossos desejos
Projetam nossa casa, nossa família...
Nossos amores
Mas tudo é falso!
Como uma casa de bonecas
A caixa de Pandora
Caminhos estranhos
Verdades fabricadas
Fumaça!
Nos levam e nos abandonam
Ficamos perdidos
O espírito tem sede
O espírito quer voltar
Quer dançar junto à tribo
Se libertar dos grilhões.
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Nos ensinaram a temer o prazer
Nos apresentaram um Deus justiceiro
Nos mostraram que é através da dor
Que se alcança a salvação
Tarjaram o nosso órgão sexual
Nos oprimiram
Nos castraram
Envenenaram o nosso vinho
Fabricaram sonhos para nós
Nos cegaram com promessas falsas
Padronizaram-nos
Somos um exército de autômatos
Identificados por códigos de barra
Infectados por vírus
Sistema obstruído
Drivers e hardwares corrompidos
Repetimos frases
Repetimos idéias e ideais
Seguimos a sinalização -
Aprisionaram o nosso espírito
Nesse corpo corrompido.
Nos tornamos reféns
Do nosso próprio EU.
Oprimimos o orgasmo
Anulamos o prazer
Em troca de um futuro que nunca vai chegar
Pois ele está dentro de nós no aqui e agora.
O futuro é o nosso presente
É a nossa aldeia
A nossa tribo.
É lá que seremos felizes
Cantando e dançando com o xamã
Livre... Livre... Livre...
Eternamente.
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Antes escravos da nossa própria negação
Aceitamos os “nãos”
Quando nos perdemos de nós
Criamos personagens
Negamos tudo que somos
E tudo que desejamos
Mentimos para nós mesmos
Em busca da aceitação do outro
A nossa referência de quem somos
Vem do olhar alheio
Criamos um novo Deus
E viramos reféns desse Deus torturador
Tudo se tornou pecado
E para suportar a dor
Ocultamos nossos desejos e prazeres
Dissimulamos para um Deus Onisciente
E enviamos e-mails para Ele
Conversamos com ele pelo msn
O nosso Deus contemporâneo
Está sempre on-line
Nos confessamos
Deixando scraps no orkut Dele
E assim fingimos que somos santos
Almejamos uma santidade
Sem ter como pagar
Pois perdemos nossos valores
Os deixamos no passado
Junto com outros valores obsoletos
Sentimentos envelhecidos
Caídos em desuso
O importante é que nada importa
Nos acostumamos com as algemas que nos deram
Combina com a nova personalidade
Que adquirimos da novela
Negamos nossos desejos
Para realizarmos os dos outros
Por isso estamos infelizes
Estamos longe
Naufragamos no oceano dos equívocos de nós mesmos
Perdidos e sem bússola
A vida nos passou a perna
Fomos enganados pelas promessas
Que nos fizeram
Fora da nossa aldeia somos vulneráveis
Enfraquecemos
O futuro julga Deus
Por si mesmo
Com desfeitos e conceitos humanos
Personificam Deus
Assim como fizeram conosco
Transplante de personalidade
Precisamos refazer o caminho
A sofisticação está na simplicidade
Sejamos orgânicos e viscerais
Voltemos às origens
À aldeia
À nossa raiz
Beber do néctar
Provar dos temperos
Caminhar pela vinha
Dançar e cantar
Ritualizar
Antes que seja tarde
E que não achemos mais o caminho de volta
Ou quando não tivemos mais pra onde voltar
Quando a nossa aldeia já não existir mais
Nossa tribo for dizimada
E só restar
As cinzas.
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