Procuramos Atrizes/bailarinas que queiram fazer parte desse projeto que reune duas peças por apenas um ingresso, numa mesma noite.
As peças são:
"METAMÓRPHOSIS", drama expressionista que reune a dança contemporânea e o áudio-visual, e
"OS SEQUELADOS", comédia rápida que trata das parafilias psicológicas da nossa sociedade contemporânea.
Esse projeto já está em andamento há 1 ano e já esteve no
SESC de N. Iguaçu e
SESC Madureira, ambos no Rio de Janeiro.
Não é necessário DRT. Procuramos por atrizes/bailarinas que realmente queiram realizar um trabalho sério e profissional. Dispomos de percentual de bilheteria acima do mercado. Não há cachê para ensaios!
O texto e a direção é de
Ronald Rosman, e o trabalho corporal e as coreografias são de
Carla Marques.Entraremos em cena em agosto e estamos redefinindo o nosso elenco. Teremos dois meses para ensaios.A produção já dispõe de figurinos, cenários e apoios.
Dispensamos curiosos!Algumas fotos e outras informações estão expostas no blog.As interessadas devem enviar currículo e foto para rrosman@hotmail.comApenas maiores de 18 anos!obrigado!
Cia. ArtLiberta.
O Homem Moderno.
Por ronald rosman.
Segundo D.H. Lawrence, filósofo holandês, a sexualidade não está relacionada com os conceitos e convenções sociais de uma pseudofamilia, mas vai além e tem objetivos mais profundos e de origem e necessidades do EU.
O sexo se divide entre o desejo e o social. Nada apenas É. Tudo apenas Está – converge. O Corpo é o lugar das conexões, dos encontros.
O homem moderno é egoísta e individualista! O que seria do homem só? Nada! Seria como um pavão depenado – apenas um cadáver.
A filosofia cristã prega o isolamento do EU com DEUS. Adão tinha DEUS, mas se sentiu solitário, pois não havia um outro corpo, não havia a possibilidade da conexão. Então Deus criou a mulher.
A individualidade está nas relações. É nos contatos com os outros Seres que conseguimos a nossa individualidade, nossa matéria. Sozinhos não valemos muita coisa. Pode-se duvidar que, assim, até tenhamos uma alma, pois nos relacionando, descobrimos quem somos.
Sexo é contato. O sol sobre as plantas também é um contato sexual. É como a luz que para poder brilhar precisa de um círculo, de um meio de transmissão. A vida, a vida autenticamente vivida, é uma espécie de ligação elétrica. É preciso fechar o circuito para possibilitar a energia fluir. O homem isolado impede a vida de fluir, de fluir nele, e torna-se vazio e oco. Mas esse contato só é capaz de fazer ávida fluir se ele for vivo e intercambiante. De nada adianta um contato com o outro, com a mulher, por exemplo, se ela é colocada num pedestal de pureza ou tratada como algo insignificante.
Desde que a mulher foi expulsa do Éden, só tivemos virgens ou prostitutas; mulheres pela metade: mulheres da era cristã.
A tentativa de estereotipar a mulher como a mãe, a virgem, a prostituta... é o sintoma de uma vida doente. A mulher, para Lawrence, ao contrário, é da ordem de “uma estranha e suave vibração do ar”, buscando contato ou uma vibração penosa que machuca tudo que encontra. Menos forma que uma certa intensidade, força. E assim também são os homens, pois assim é a vida: fluxos, vibrações, ondas. Os homens e as mulheres são como rios que se encontram em determinados pontos e se separam em outros; é uma questão de contato, de não existir uma natureza do homem e outra da mulher isolada, mas apenas um movimento de conjunção e disjunção. Se o homem não se deixa atravessar pelos fluxos de vida do mundo, ele se torna morto, ressequido: são as relações que fazem de mim um rio vivo.
A alma é a integralidade, conectividade com o mundo e não um pedaço isolado do mundo. Nesse isolamento está o nosso mal, a nossa doença, nossa ausência de paz, pois ele entende paz não como a parada dos fluxos, sua inércia, mas o livre fluxo da vida, semelhante a um rio. O homem nasce com um início de alma e sua tarefa é a de criar sua alma como integrada ao mundo.
No mundo que vivemos o principal valor é o desposamento de todas as relações, época do indivíduo isolado na qual o Eu-Mesmo se tornou vazio e triste. O homem moderno, individualista, perdeu a alegria da vida. Desligado da vida, o homem moderno tem pelo sexo uma verdadeira aversão, só conseguindo concebê-lo como impulso sexual grosseiro de posse da fêmea. A isso Lawrence opõe uma visão cósmica do sexo, uma concepção de sexo como conectividade com o que é outro, símbolo das relações entre homens e mulheres: e o que é o sexo, antes de tudo, senão o símbolo das relações entre homens e mulheres? E essas relações são tão vastas com a vida. Elas consistem em uma infinidade de fluxos diferentes e mesmo opostos entre dois Seres.
A vida é sexo. A libido que percorre homens e mulheres também percorre o mundo, não se reduzindo ao “sujo segredinho”. A estupidez do homem moderno reside na sua visão embotada da vida, do sexo. Como a vida é mudança, encontro de ritmos diferentes, cada transformação é produção de um novo Ser, de um novo ritmo, de uma outra pulsação.
E isso foi embotado no homem moderno: sua capacidade de perceber positivamente o caráter metamorfoseante da vida. Perante tudo que parece, o homem individualista torce sua face em dor e faz apologia da solidão. Para ele é impossível compreender e sentir a mulher como um fluxo, um rio de vida, fluxo diferente daquele do homem e tanto mais difícil se torna, então, perceber que a questão é a das conexões possíveis entre esses fluxos.
O sexo é alguma coisa de mutante, ora em movimento, ora em repouso, ora inflamado [apaixonado] e ora morto, parece, completamente morto.
Homens e mulheres comuns são incapazes de suportar tal mutabilidade, preferindo o lugar comum das idéias estabelecidas sobre o sexo, o dinheiro ou o que alguém pode ser.
Não se trata aqui de um retorno a um estado não civilizado, retorno à barbárie, pois que já nos encontramos nela. A força de uma civilização não está no seu grau de desenvolvimento técnico, mas na vida sensível que nas invenções (...) a cultura e a civilização se medem em termos de consciência vital.
Para que haja luz é necessário a escuridão. O bem só existe com o mal. Quais parâmetros estamos utilizando para estabelecer observações e análises pertinentes sobre as coisas? Ou nem nos damos a esse trabalho?
Devemos pôr em questão relações mantidas e calcadas com base em ameaças e que nos incite medo e insegurança. Precisamos ter consciência da vida que vivemos. Os homens estão viciados em dissimulação. O homem moderno vive o embotamento dessa consciência vital. O pensamento regrado, racional opera linearmente por etapas visando chegar a uma conclusão, a uma meta de forma analítica, dissecadora. A consciência vital não buscava estabelecer relações lógicas entre as coisas, mas relações físicas, emocionais. Tentava captar o contato entre o homem e o cosmo, onde tudo se liga a tudo. Tudo é concreto; não há abstrações. E tudo faz alguma coisa,e toda coisa age e provoca efeitos: o universo é uma grande e complexa atividade de coisas que existem, se movem e provoca efeitos. E tudo isso é DEUS.
A consciência vital busca então captar o movimento perpétuo de tudo, inserir o homem nesse movimento - conectá-lo ao universo. E isso foi perdido pelo homem moderno e seu pensamento centrado no Eu; pensamento interiorizado. Pensamento que se fecha sobre si mesmo e é incapaz de agir, nos fazendo participar de um sentimento de cultura como diz Nietzsche, ao invés de possuirmos uma cultura efetiva, uma decisão de cultura.
Esse esquecimento do corpo está na base do individualismo do homem moderno e lhe dá um caráter paradoxal, pois trata-se de um individualismo sem indivíduo. Vive-se uma época individualista que não possibilita ao homem, pensar seus próprios pensamentos, sentir com seus próprios sentimentos, viver a sua própria vida.
Em tempo o homem moderno não suporta, sequer, ser desejado ou amado, ou ser vítima da paixão do outro. Vivemos uma masturbação sentimental!
A modernidade nos provoca ter orgasmos com a genitália do outro; sentir o amor que não é seu; nos acovardarmos perante as conexões e os relacionamentos extra-sensoriais. O homem moderno necessita entender Tudo para que deixe fluir e promova a movimentação elétrica do cosmo.
Pensar com a nossa própria cabeça pode ser um bom começo, mas buscando sempre parâmetros sólidos. Não se fechar em si mesmo ou em idéias vazias, e muito menos se negue a essas possibilidades e reflexões.
Baseado e extraído do livro: “O que pode o corpo”- por Paulo Germano Barrozo Albuquerque (professor do departamento de psicologia da Universidade Federal do Ceará). Comentários e observações de R. Rosman.