terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

IN LOCO

Em meio a sons de tiro e explosões, tenta ater minha mente sã para poder postar algo que preste, porém a guerra se faz voraz, aqui nessa lan.
Me sinto fora da civilização, misturado com jovens arredios, ferozes e violentos que matam seus inimigos sem dó nem ré. É uma gente estranha, uma geração que não pensa, não reflete não se analisa, não conversa, não se expressa, não se alimenta com literatura de espécie alguma.
Me vejo no meio desses jovens que serão o futuro desse País fadado ao fracasso. Fico imaginando que País será o nosso daqui há vinte anos. Quem serão os Ministros, os Deputados, os Professores, os Policiais, os Médicos, etc...?
Faço parte de uma geração que amava Vinícius de Moraes, Rimbaud, Kerouac, Ginsberg, Drummond, etc... Minha geração ouvia músicas que continham letras. Existia um tal de rock'n roll que criticava o poder público inexpressivo, que falava de amor, que montavam peças teatrais para falar da sociedade, etc...
Hoje assisto pasmo uma galera sem viço, sem foco, sem vontade, sem determinação, sem nada.
Hoje me sinto meio fora do mundo. Faço parte de uma galera que valoriza a amizade, uma boa conversa, um bom livro, cinema, teatro, artes plásticas, música...
Não ache que é saudosismo, nostalgia... não é. É apenas uma observação. Apenas uma lente de aumento sobre uma geração que perdeu o rumo, que não respeita os idosos, não respeita nem pai e nem mãe, que não ama ninguém.
Hoje na Rede Globo de televisão, há um seriado chamado, "Queridos Amigos" que fala muito sobre isso. Fico assistindo, sempre que possível, a minha geração na tela da tv. Identifico aqueles personagens como se fossem antigos amigos.
O seriado da Globo me faz pensar: onde é que todos foram parar? Por que ninguém mais telefona? Por que é que ninguém mais se procura?
Estamos sendo dominados por esses jovens alienados que só sabem jogar on line, amar on line, fazer amigos on line e até se suicidar on line.
Enquanto essa geração se prepara para acabar com o mundo, eu continuo caminhando por entre esses alienados como um espírito invisível, assistindo a tudo IN LOCO.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quem somos?

Quem você acha que é quando diz o que pensa, quando faz o que quer, quando tem ações impulsivas, etc...?
Quem você pensa que é quando burla a sua dor, quando omite e nega o que verdadeiramente é?
Hoje somos uma falsa imagem de nós mesmos; Como uma massa de argila desforme que precisa ser moldada para se metamorfosear em algo similar a nós.
Hoje temos medo de sentir, de viver, de ser sincero, de abrir o peito, de mostrar a cara, etc...
Hoje somos robôs programados para sentir o que melhor convêm.
O espelho não nos revela mais quem é refletido!
A real importância é dada ao que você tem, ao carro que dirige, a marca que veste, ao bairro que mora, etc...
Ninguém se importa com o que você pensa e tem a dizer! Ninguém quer saber o que você deseja! Ninguém quer ouvir as suas lamúrias! O mundo corre! O mundo está com pressa! Ninguém tem tempo pra ninguém!
E assistimos estarrecidos ao suicídio de um jovem adolescente de 16 anos pela internet como se fosse uma obra de ficção cinematográfica. Ninguém sofre com isso! Ninguém se importa com ninguém!
É importante saber quem somos para observarmos em que nos transformamos!
Somos uma adaptação mal feita do homem do século 21; o homem contemporâneo é o seu próprio algoz.
Estamos acabando com tudo que nos foi dado. Estamos acabando com o mundo que somos e com o mundo que vivemos.
Estamos destruindo o planeta e o primeiro a desaparecer seremos nós mesmos.
O homem está longe de si. Cada vez mais longe de tudo. Longe da sua origem. Longe... Longe... "Em uma outra estação".

Imaturidade emocional é pior que ignorância cultural?

Quando crianças, muito de nós foi super-cuidado, super-protegido, etc... e com isso não desenvolvemos a nossa inteligência emocional.
Fomos protegidos de crescer! Impedidos pelos nossos pais e familiares, e hoje não conseguimos nos relacionar com as pessoas e com as dores que a vida nos presenteia. Negamos todo e qualquer tipo de dor emocional. Não admitimos o amor e muito menos sofrer por ele. Vivemos mal e porcamente a nosso vidinha de shopping center e consumistas. Tudo que somos é o que temos.
Estamos gostando de ser NADA!
Nos transformamos em um bando de meninos mimados, mal resolvidos!
Não suportamos as pressões da vida!
Um bando de crianças cheias de vontades.
Um grupo de sem sentidos!
Em exército de covardes.

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